Nos últimos anos, o cuidado com a pele ganhou espaço na rotina e nas redes sociais, com rotinas cada vez mais longas e novos produtos surgindo com frequência. O skincare virou hábito para muita gente, especialmente quando o assunto é rosto e aparência. Mas, em meio a tantas etapas e recomendações, o cuidado pode acabar passando do ponto.
Segundo especialistas, não existe um número fixo de produtos que define uma rotina como excessiva. O problema começa quando o uso deixa de ter uma função clara ou passa a causar reações na pele.
“O excesso começa a ser um problema quando se usam produtos sem indicação ou quando a pele passa a apresentar sinais como ardor, vermelhidão, descamação e aumento da sensibilidade”, explica o dermatologista Rafael Parisi, do Hospital Brasília.
Ele afirma que uma rotina básica costuma ser suficiente para a maioria das pessoas, com limpeza, hidratação e proteção solar. Outros produtos devem ser incluídos apenas quando há uma necessidade específica.
Mais produtos não significam mais resultado
A popularização de rotinas com várias etapas pode levar ao uso combinado de ativos que a pele não tolera. Ácidos, retinoides e outros produtos, quando usados em excesso ou sem orientação, podem comprometer a barreira cutânea.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
“O uso exagerado pode provocar irritação, ressecamento e até o efeito contrário ao desejado, prejudicando a qualidade da pele”, afirma Parisi.
Além disso, uma rotina extensa e mal planejada pode agravar problemas já existentes. Acne, rosácea e dermatites podem piorar quando há excesso de produtos ou escolha inadequada para o tipo de pele. “Em alguns casos, simplificar a rotina é parte do tratamento”, diz o dermatologista.
Influência das redes e padrão de perfeição
O comportamento em torno do skincare não envolve apenas a pele, mas também a forma como a pessoa se relaciona com a própria imagem. Para a psiquiatra Priscila Rocco, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o cuidado passa a exigir atenção quando começa a afetar a rotina.
“O problema surge quando há sofrimento ou prejuízo nas relações e nas atividades do dia a dia”, afirma.
Ela explica que o excesso pode aparecer como um padrão repetitivo, difícil de interromper, em que a pessoa sente que nunca fez o suficiente. O comportamento pode estar ligado à ansiedade, à compulsão ou ao transtorno dismórfico corporal.
As redes sociais também influenciam essa percepção. “As pessoas passam a se comparar com imagens produzidas, muitas vezes editadas, que não refletem a aparência real”, diz.
Quando é hora de rever a rotina
Alguns sinais indicam que o skincare pode estar deixando de ser um cuidado saudável. Entre eles estão irritações frequentes na pele, uso constante de novos produtos sem orientação e preocupação excessiva com a aparência.
Também chama atenção quando a pessoa evita compromissos ou dedica grande parte do tempo à rotina de cuidados.
“O ideal é que o skincare tenha uma função clara e seja compatível com a rotina e com o tipo de pele”, afirma Parisi.
Para os especialistas, uma rotina simples, bem indicada e tolerada pela pele tende a trazer melhores resultados do que o acúmulo de produtos sem critério.