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como foi a eleição da família Bolsonaro

A família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terminou as eleições deste domingo (4/10) com quatro eleitos, dois suplentes, além do senador Flávio Bolsonaro no segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto.

Fora das urnas, inelegível e cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado, o ex-chefe do Planalto viu filhos, mulher, ex-mulher, irmão e cunhados disputarem cargos pelo país. O clã apareceu na corrida pela Presidência e nas eleições para Senado, Câmara dos Deputados e Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O posto mais alto ficou a cargo do filho mais velho. Escolhido pelo pai para representar o PL na disputa pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos e enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro.

A candidatura colocou o parlamentar, de 45 anos, diante do maior teste de uma carreira política iniciada mais de duas décadas antes. Ele foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro pela primeira vez em 2002, permaneceu quatro mandatos na Assembleia Legislativa e chegou ao Senado em 2019.

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do Metrópoles

A eleição deste domingo foi a primeira disputa desde 1990 sem Jair Bolsonaro como candidato a algum cargo a nível nacional.

A última participação ocorreu há quatro anos, em 2022, quando ele perdeu e se tornou o primeiro presidente brasileiro a disputar a reeleição e ser derrotado. Bolsonaro está inelegível e cumpre mais de 27 anos de prisão após ter sido condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado.

Sem o pai na urna, três dos cinco filhos concorreram neste domingo. Além de Flávio, Carlos se elegeu para o Senado por Santa Catarina, enquanto Jair Renan conseguiu trocar a Câmara Municipal de Balneário Camboriú pela Câmara dos Deputados.

Michelle estreia nas urnas

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Michelle Bolsonaro diz que é preciso ter “Senado forte” diante de crise no STF

No Distrito Federal, a eleição marcou a estreia de Michelle Bolsonaro (PL) como candidata. A ex-primeira-dama foi eleita senadora e recebeu 29,1% dos votos (cerca de 938 mil votos), terminando a disputa na liderança.

A ex-primeira-dama chegou à urna depois de ampliar sua atuação política principalmente após a saída de Bolsonaro do Planalto. Entre 2023 e 2026, comandou o PL Mulher e percorreu o país em eventos da legenda.

A candidatura, porém, só foi confirmada depois de meses de dúvidas e de brigas dentro da própria família. Michelle chegou a se desentender publicamente com Flávio antes de receber o aval de Bolsonaro para disputar o Senado.

A ex-primeira-dama também levou a própria família para a eleição. O irmão Diego Torres ficou como primeiro suplente em sua chapa.

Já Eduardo Torres (PL), outro irmão de Michelle, tentou conquistar uma vaga de deputado distrital, mas não conseguiu se eleger. Ele recebeu 17.314 votos e ficou como suplente.

Carlos e Jair Renan foram eleitos em Santa Catarina

Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan Bolsonaro (PL)
Carlos Bolsonaro (PL) e Jair Renan Bolsonaro (PL)

A estratégia da família também passou por Santa Catarina. Dois filhos de Bolsonaro — Carlos e Jair Renan — disputaram e foram eleitos a cargos pelo estado.

Carlos Bolsonaro (PL), que construiu toda a carreira eleitoral no Rio de Janeiro, deixou o estado depois de sete mandatos consecutivos como vereador e entrou na disputa por uma das duas vagas catarinenses no Senado. Neste domingo, ele foi eleito para um mandato de oito anos. Carlos recebeu mais de 2 milhões de votos e terminou em segundo lugar na disputa.

A chegada de Carlos acirrou os ânimos da direita catarinense. Ele dividiu espaço com a deputada Carol de Toni (PL) e com o senador Esperidião Amin (PP), também candidatos às duas vagas. Durante a campanha, adversários exploraram sua trajetória inteiramente construída no Rio, enquanto Carlos buscou transformar a ligação com o pai e com Flávio em ativo eleitoral.

O outro Bolsonaro na disputa catarinense era Jair Renan. Aos 28 anos, ele é o filho do ex-presidente que entrou mais recentemente na política. Vereador de Balneário Camboriú, o “04” recebeu cerca 131 mil votos e foi eleito deputado federal pelo estado.

A candidatura veio apenas dois anos depois de sua estreia nas urnas. Em 2024, ele concorreu usando “Jair Bolsonaro” como nome de urna e foi o vereador mais votado de Balneário Camboriú.

Ainda na metade do primeiro mandato, decidiu tentar o salto da Câmara Municipal para a Câmara dos Deputados. Durante a campanha, apresentou a nova candidatura como uma missão recebida do pai.

Irmão de Bolsonaro conseguiu se eleger em SP

Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro

Em São Paulo, foi a vez do irmão mais novo do ex-presidente tentar transformar o sobrenome em mandato. Renato Bolsonaro (PL) disputou uma cadeira de deputado federal.

Ele era uma das apostas do partido para puxar votos e foi eleito neste domingo. Renato conseguiu mais de 379 mil votos.

Empresário e natural de Jundiaí, ele já havia disputado diferentes eleições municipais no interior paulista, inclusive para prefeito. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Registro e não foi eleito.

Ex-mulher ficou de fora

Divulgação
Rogéria Bolsonaro, ex-esposa de Jair Bolsonaro

No Rio de Janeiro, sem candidaturas de Carlos e Flávio, aposta foi Rogéria Bolsonaro (PL). Ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, ela concorreu a uma vaga de deputada federal, não conseguiu a cadeira de titular e ficou como suplente. Rogeria recebeu 65 mil votos.

Rogéria, de 66 anos, não é novata nas urnas. Antes mesmo de os filhos iniciarem suas carreiras, ela já havia sido eleita vereadora do Rio em 1992 e reeleita em 1996. Exerceu dois mandatos consecutivos na Câmara Municipal.

A carreira dela também se cruzou com a de Carlos. Na eleição de 2000, já separada de Bolsonaro, Rogéria tentou conquistar um terceiro mandato, enquanto o próprio filho entrou na disputa pela primeira vez.

Carlos venceu e iniciou a sequência de sete mandatos; ela ficou fora da Câmara Municipal. Rogéria ainda tentou retornar como vereadora em 2020, mas não se elegeu.

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