Os primeiros meses de 2026 não foram nada fáceis para os gestores de fundos de crédito privado. A tempestade perfeita reúne resgates bilionários dos valores aplicados, o “apagão” de informações essenciais e rendimentos muito abaixo do CDI.
Começando pelos saques, entre março e abril, de acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), R$ 13,3 bilhões foram retirados de fundos de crédito privado pelos investidores.
Quanto ao rendimento baixo, levantamento recente mostra que no 1ª trimestre de 2026, 20 fundos tiveram resultado pífio: de até 28,4% do CDI. Em um dos casos, o resultado foi negativo.
O estudo, feito pelo professor do Centro de Estudos em Finanças (FGV-Cef), Ricardo Rochman, com base em dados da Economatica, avaliou 849 fundos de crédito privado voltados para investidores de varejo. Do total:
Desempenho dos Fundos de Crédito Privado
- 59 fundos renderam entre 28,4% e 50% do CDI, enquanto 112 renderam até 70% do CDI;
- Outros 505 renderam entre 70% e 99% do CDI;
- Só 153, 18% do total, ficaram acima do CDI.
No mercado, um fundo de crédito privado é considerado bom quando rende mais do que o CDI, já que oferece aos investidores mais riscos do que aplicações mais conservadoras.
Outra questão é a falta de transparência, principalmente dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Levantamento da Uqbar apontou que 76 fundos não haviam reportado dados de fevereiro como patrimônio, volume de crédito e nível de inadimplência até o dia 10 de abril. O prazo para a entrega era até o dia 15 de março. Considerando o patrimônio reportado pelos fundos, a obscuridade alcança R$ 37 bilhões.