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O que se sabe e o que falta esclarecer sobre queda de avião que chocou BH

Belo Horizonte – A queda de um avião de pequeno porte na tarde desta segunda-feira (4/5), no bairro Silveira, Região Nordeste de Belo Horizonte, chocou moradores do entorno e mobilizou equipes de resgate. O acidente deixou três mortos e dois sobreviventes – um deles em estado grave – e suas causas ainda são um mistério a ser investigado pelas autoridades.

Logo após a queda, relatos de testemunhas ajudam a dimensionar o impacto do acidente. O estudante Rafael Campos, de 15 anos, contou que presenciou o momento e destacou a atitude do piloto.

“Foi muito comovente. A atitude do piloto foi muito admirável. Ele desviou da escola que está aqui perto. Se ele caísse lá, ia causar muito mais mortes. Ele deu a vida dele para evitar uma tragédia maior”, disse o adolescente.

Moradores e funcionários de lojas no entorno ficaram apavorados com o estrondo no momento da colisão

Moradora do prédio atingido, Alva Maria Miranda Lana, de 67 anos, relatou momentos de pânico. “Fiquei sabendo através do grupo do prédio. Uma vizinha estava gritando, pedindo socorro, com o apartamento cheio de fumaça. Fiquei apavorada, sem saber o que estava acontecendo”, disse.

O que aconteceu

O avião de pequeno porte caiu por volta das 12h30, pouco mais de 3 minutos após a decolagem no Aeroporto da Pampulha até a queda, há cinco quilômetros de distância. A aeronave atingiu um prédio de três andares na rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), o impacto ocorreu na área da escadaria, o que evitou que moradores fossem atingidos diretamente. Apesar disso, houve danos na fachada, e a Defesa Civil foi acionada para avaliar o imóvel.

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Quem são as vítimas

Cinco pessoas estavam a bordo. Morreram na hora o piloto Wellinton de Oliveira Pereira, 34 anos e o médico veterinário Fernando Moreira Souto, 36, filho do prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto (PDT).

A Prefeitura de Jequitinhonha declarou luto de três dias e divulgou nota lamentando a morte de Fernando Moreira Souto e prestando solidariedade à família.

“Neste momento tão difícil, a Administração Municipal se une em solidariedade ao prefeito, à sua esposa, a familiares e amigos, desejando que Deus traga conforto e força para enfrentar essa perda irreparável”, diz nota oficial da prefeitura.

O empresário Leonardo Berganholi, 50 anos, chegou a ser socorrido e levado para atendimento no Hospital de Ponto Socorro João XVIII, no centro da capital mineira, mas não resistiu e faleceu à noite, cerca de sete horas após o acidente.

Arthur Berganholi, 25 anos, filho de Leonardo, sobreviveu. O jovem foi socorrido e atendido no mesmo hospital que o pai, onde continua sob cuidados médicos. Ele chegou a ser filmado por uma moradora, sentado nas escadarias do prédio, atordoado e muito machucado, logo após a queda da aeronave.

Outro sobrevivente é Hemerson Almeida Souza, 53 anos. Ele foi levado ao Pronto Socorro com múltiplas fraturas — e segue internado com quadro de saúde estável.

Motivo da viagem

Informações preliminares apontam que os ocupantes saíram de Teófilo Otoni, no Nordeste do estado, e seguiam para São Paulo, capital; onde participariam de uma reunião de negócios.

Registro da aeronave

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião estava com certificado em dia, mas não tinha autorização para operar como táxi aéreo— sendo fretado para outras pessoas para viagens sob demanda.

Na prática, a aeronave de matrícula PT-EYT, modelo P32R, estava apto a voar dentro das condições permitidas para sua categoria, de forma privada. Conforme o registro, o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) tinha validade até o dia 1º de abril de 2027.

Notas oficiais

A administração do Aeroporto da Pampulha confirmou que a aeronave decolou às 12h16. Já a NAV Brasil informou que o piloto declarou emergência após a decolagem, devido à dificuldade de subir.

O avião decolou com destino ao Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. Logo em seguida apresentou problemas técnicos na subida inicial.

Antes da queda, a NAV Brasil informou que o piloto chegou a declarar emergência (“mayday”), relatando dificuldade para ganhar altitude.

O órgão não estabelece prazo exato para conclusão, mas os trabalhos incluem coleta de dados, análise da aeronave e das comunicações do voo.

Presença de autoridades

Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Polícia Militar e Polícia Civil atuaram no local. Autoridades municipais, incluindo o prefeito Álvaro Damião (União) e representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, acompanharam os trabalhos de resgate e isolamento da área.

O chefe do Executivo mineiro, rechaçou a possibilidade de fechamento do aeroporto e disse que o episódio deve servir como alerta, mas não justifica mudanças estruturais no funcionamento do terminal. “A investigação vai apontar se foi problema na aeronave, erro humano ou questão técnica. O que fica é a lição de uma tragédia. Esse tipo de acidente não é comum em Belo Horizonte”, disse.

Mateus Simões (PSD), governador de Minas Gerais, também manifestou solidariedade aos familiares das vítimas nas redes sociais e agradeceu aos bombeiros pela agilidade no resgate.

“Nossas orações estão com as famílias das vítimas e dos feridos. Agradeço a pronta atuação do Corpo de Bombeiros @bombeirosmg , que agiu rapidamente para socorrer os envolvidos.”

O que ainda falta esclarecer

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), investiga as causas da queda da aeronave.

Funcionários do Cenipa chegaram no fim da tarde ao local do acidente para o início das investigações. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) também apura as circunstâncias da queda.

queda avião BH
Funcionários da Cenipa reunidos com Polícia Civil, PM e Defesa Civil no local do acidente

Apesar das informações já confirmadas, as causas do acidente permanecem desconhecidas. Entre os pontos que serão investigados estão possíveis falhas mecânicas, condições de operação da aeronave e fatores humanos.

A comunicação com a Torre de Controle e a análise dos motores podem ser decisivos para identificar os problemas que causaram a queda.

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