O dólar apresentou estabilidade, com zero de variação frente ao real, cotado a R$ 5,25, nesta quarta-feira (4/2). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrava forte recuo de 2,57%, aos 180.902 pontos, às 16h50. Na véspera, ele havia superado a marca de 185 mil pontos, um novo recorde do indicador.
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento de pequena alta do dólar é explicado, em grande medida, pelo fortalecimento da moeda americana no exterior, que pressiona divisas de países emergentes como o real.
“Esse quadro é reforçado com a piora do desempenho do Ibovespa, sinalizando uma provável saída de recursos da Bolsa, depois de um fluxo expressivo (de recursos do exterior) registrado no primeiro mês do ano”, diz. “Na ausência de catalisadores positivos no exterior, os ativos brasileiros parecem atravessar um movimento de consolidação no pregão, com desempenho negativo tanto para o Ibovespa quanto para o câmbio.”
Ibovespa
No caso do Ibovespa, observa Bruno Perri, sócio da Forum Investimentos, ele reagiu a fatores como a realização de lucros (quando os investidores negociam ações, depois de atingido determinado patamar de retorno) e a queda dos papéis do Santander, que provocou uma correção em todo o setor financeiro e se espalhou por outros setores, “em sinal de exaustão da forte alta recente do mercado acionário brasileiro”.
As ações do Santander caíam mais de 3%, às 17 horas, depois que o banco divulgou um lucro líquido gerencial, que desconsidera o ágio de aquisições, de R$ 4 bilhões no quarto trimestre de 2025, numa alta de 6% sobre o mesmo período de 2024. O retorno sobre o patrimônio (ROE), de 17,6%, ficou estável, enquanto a inadimplência subiu meio ponto percentual em 12 meses. Houve ainda uma elevação de 2,9% nas despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD).
Bancos em queda
Nesse contexto, os papéis dos outros “bancões” brasileiros, que têm grande peso no Ibovespa, também caíram. As quedas, às 16h55, eram de 4,03% do Bradesco e 3,85% do Itaú Unibanco.
Perri nota que outros papéis importantes do índice da B3, como Petrobras e Vale, também recuaram, embora num nível mais modesto. Isso como resultado de um movimento de correção depois de alta na véspera e apesar da elevação das commodities de referência das duas empresas.
“Preocupações quanto à independência do Banco Central (BC), com as indicações de novos diretores, também reforçam o movimento de queda”, afirma o analista. “O ambiente no exterior também não ajudou. Os mercados americanos caíram hoje, em movimento de aversão ao risco, puxado pelo setor de tecnologia, e favorecendo ativos mais conservadores como o dólar e o ouro.”