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Suplemento natural pode reforçar imunização contra Covid em idosos

Um composto produzido naturalmente pelo organismo e encontrado em alimentos como gérmen de trigo, cogumelos e alguns tipos de queijo pode ajudar parte dos idosos a responder melhor às vacinas. É o que sugere um estudo publicado em 22 de maio na revista Aging Cell.

A pesquisa avaliou a espermidina, uma molécula que participa de processos importantes para a manutenção das células. Segundo os pesquisadores, o suplemento melhorou indicadores da resposta imunológica em idosos que apresentavam baixa proteção mesmo após três doses da vacina contra a Covid-19.

Por que algumas vacinas funcionam menos com o envelhecimento

Com o avanço da idade, o sistema imunológico perde parte da capacidade de combater infecções e responder às vacinas. Esse processo, conhecido como imunossenescência, faz com que alguns idosos produzam menos anticorpos e tenham uma resposta imunológica menos eficiente.

Para investigar se a espermidina poderia ajudar a reverter esse quadro, pesquisadores da Universidade de Oxford, do Centro Max Delbrück, na Alemanha, e de outras instituições acompanharam 40 adultos saudáveis com 65 anos ou mais.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

Após receberem a terceira dose da vacina contra a Covid-19, os participantes passaram 13 semanas tomando diariamente um suplemento de espermidina ou um placebo.

O que o estudo encontrou

Cerca de um quarto dos participantes apresentou uma resposta fraca à vacina mesmo após três doses. Segundo os pesquisadores, essas pessoas também tinham sinais de envelhecimento das células do sistema imunológico, incluindo maior dano ao DNA e marcadores de senescência celular, processo em que células envelhecidas deixam de funcionar adequadamente e passam a se acumular no organismo.

Entre os idosos que receberam espermidina, a equipe observou melhora em diferentes indicadores da resposta à vacinação. No geral, eles produziram mais anticorpos contra o SARS-CoV-2 e apresentaram maior capacidade de neutralizar diferentes variantes do vírus.

Além disso, o suplemento foi associado à redução de marcadores relacionados ao envelhecimento do sistema imunológico e ao aumento da autofagia, mecanismo pelo qual as células eliminam componentes danificados e mantêm seu funcionamento.

De acordo com os autores, nenhum efeito adverso relacionado ao uso da espermidina foi identificado durante o estudo.

Resultados ainda precisam ser confirmados

Apesar dos resultados, os autores destacam que o estudo teve apenas 40 participantes e foi desenvolvido como um ensaio clínico piloto.

“Muitos idosos respondem bem às vacinas. Mas alguns não desenvolvem uma forte proteção, mesmo após repetidas vacinações. O envelhecimento biológico das células imunológicas pode ser um dos motivos para isso. Nossos resultados sugerem que a espermidina pode ajudar a restaurar aspectos da função imunológica nesse grupo”, afirmou Ghada Alsaleh, pesquisadora da Universidade de Oxford e uma das líderes do estudo.

A equipe afirma que serão necessários estudos com um número maior de participantes para confirmar se a espermidina melhora de forma consistente a resposta às vacinas e verificar se o mesmo efeito também ocorre com imunizantes contra outras doenças, como a gripe.

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