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o perfil dos clientes da Naskar que tiveram prejuízo de R$ 1 bilhão

Desespero é o sentimento que norteia os 3 mil clientes da Naskar Gestão de Ativos após a empresa interromper repentinamente as atividades. Desde a última terça-feira (5/5), os sócios da fintech não respondem e o aplicativo — onde os clientes tinham acesso aos investimentos — não funciona, gerando incerteza nos investidores. A situação foi noticiada pelo Metrópoles em primeira mão.

Estima-se que a Naskar tenha mais de R$ 900 milhões em mãos, se somados os patrimônios dos 3 mil investidores. Um único empresário tinha R$ 3,9 milhões aplicados na fintech. Um bancário possuía R$ 2,3 milhões investidos, enquanto um advogado depositou R$ 2 milhões e um aposentado aplicou R$ 1 milhão. Todos os exemplos são de moradores do Distrito Federal, embora a empresa tenha atuação no Brasil inteiro.

App da empresa não funciona desde terça-feira (5/5)
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App da empresa não funciona desde terça-feira (5/5)

Material obtido pelo Metrópoles

Falta de explicações levou clientes a reclamarem
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Falta de explicações levou clientes a reclamarem

Reprodução

Registro no site Reclame Aqui
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Registro no site Reclame Aqui

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Registro no site Reclame Aqui
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Registro no site Reclame Aqui

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Intermediários que captam clientes para a Naskar vêm sendo cobrados
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Intermediários que captam clientes para a Naskar vêm sendo cobrados

Material obtido pelo Metrópoles

Na imagem, um cliente tenta contato com um dos sócios da Naskar, sem sucesso
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Na imagem, um cliente tenta contato com um dos sócios da Naskar, sem sucesso

Material obtido pelo Metrópoles

Maurício Jahu (à esquerda), Rogério Vieira (no centro) e Marcelo Arantes (à direita), sócios da Naskar
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Maurício Jahu (à esquerda), Rogério Vieira (no centro) e Marcelo Arantes (à direita), sócios da Naskar

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Nenhum dos três sócios tem respondido os investidores
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Nenhum dos três sócios tem respondido os investidores

Material obtido pelo Metrópoles

Naskar abandonou a sede na Vila Olímpia, zona leste de São Paulo, no segundo semestre de 2025
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Naskar abandonou a sede na Vila Olímpia, zona leste de São Paulo, no segundo semestre de 2025

Ramiro Brites/Metrópoles

A Naskar afirmou ao Metrópoles que identificou uma inconsistência de dados e que os clientes serão atualizados o mais brevemente possível. (Veja nota ao final da matéria) 

Após as reportagens publicadas pelo Metrópoles nos últimos dois dias, outros clientes da Naskar entraram em contato relatando perdas milionárias.

O taxista Luciano Oliveira, 53 anos, por exemplo, conheceu a Naskar em 2024 por indicação de um colega de trabalho que já era cliente da instituição. “Ele me falou das condições, dos 2% de juro ao mês… eu desconfiei, mas pesquisei na internet e senti credibilidade”, comenta. “Eles já possuíam mais de 10 anos de existência e quase não tinham reclamações. Pensei: ‘Não é possível que vai dar errado’“, relembra Luciano.

Outro motivo que conferia um ar de legalidade à operação da Naskar era a disponibilização do informe de rendimentos para declaração de Imposto de Renda. O documento era enviado todos os anos para quem tinha recursos custodiados pela empresa. Luciano, por exemplo, confirma ter recebido os informes.

Àquela altura, o taxista era obrigado a se aposentar do trabalho para cuidar da mãe, uma senhora de 92 anos que enfrenta sequelas de um infarto sofrido em 2019. Ele, então, vendeu um apartamento da família e investiu todo o valor na Naskar: R$ 760 mil.

“Pensei em alguma forma de fazer o dinheiro girar para custear o tratamento da minha mãe enquanto eu ficava em casa cuidando dela”, conta.

A estratégia de vida vinha dando certo. Luciano recebia da Naskar cerca de R$ 15 mil mensais referentes aos 2% de juros ao mês sobre o montante de R$ 760 mil. “Sempre recebi pontualmente no dia 1º, nunca tive problema”, relembra. Até que, nessa semana, tudo mudou.

“Não consigo mais acessar o aplicativo, e quando procuro os responsáveis pela Naskar, ninguém nos atende. Não sei nem o que pensar”, reflete.

Com as contas batendo na porta, o morador do DF chegou a vender uma motocicleta modelo MT-07 por um valor abaixo do mercado para custear serviços essenciais neste mês, como água, luz, aluguel e o tratamento da mãe. “Nem sei como vai ser o próximo mês, estou desesperado. Não sei como é que posso fazer pra viver. Não posso nem trabalhar, estou há sete anos cuidando da minha mãe“, lamenta.

Ela usa marcapasso, tem dois stens, toma 29 comprimidos por dia. Temos um gasto muito alto com medicação e alimentação é regrada“, revela.

“Estou ferrado, angustiado, nervoso, desesperado. Não sei o que fazer, o que pensar. Tive que tomar remédios pra dormir nos últimos dias, estou preocupado com minha mãe porque eu não posso transparecer preocupação para ela”, comenta Luciano. “Estou sem chão”.

Luciano confiava tanto na Naskar que chegou a indicar amigos, como o publicitário Roberto Abreu, 49 anos. Por sorte, ele decidiu um valor menor.

Fiz um aporte de R$ 40 mil em março deste ano, e minha namorada investiu R$ 33 mil no mês passado“, conta Roberto. Apesar de o valor não chegar à casa dos milhões como ocorreu com outros clientes, o dinheiro fará falta ao publicitário, que tem uma viagem marcada para o próximo mês.

“Tentei resgatar R$ 10 mil para receber no próximo dia 15. A transação não foi aprovada e não consigo mais acessar o app”, lamenta. “Essa situação tem tirado nosso sono. Não sei se espero, se aciono a Justiça. Eu contava com esse dinheiro.”

“Minha vida acabou”

Outro morador do DF que tem dinheiro guardado na Naskar e está aflito para saber o que aconteceu é o empresário Wesley Albuquerque, 40 anos. Além de ter grande investimento na fintech, ele fazia captação de pessoas para a empresa por meio de um contrato de prestação de serviços, o que tem redobrado a preocupação.

Wesley já captou 135 clientes para a Naskar. Somado, o montante investido pelas pessoas captadas pelo empresário chega a R$ 47 milhões.

“Tenho uma empresa focada em consórcios. Seis anos atrás, a Naskar entrou em contato conosco, apresentou a operação e foi provando que era digna de confiança”, relembra o empresário brasiliense. “A nossa confiança foi aumentando cada vez mais a ponto de eu deixar todo o meu dinheiro lá”, comenta.

Conquistado pelos altos retornos e pela credibilidade da Naskar à época, Wesley sugeriu que a própria mãe virasse cliente. “Minha mãe vendeu uma casa, e recomendei a ela que investisse lá. Falei: ‘Olha, mãe, meu dinheiro está todo lá, vai ser bom para você investir e ficar usando o retorno como aposentadoria’. Agora, com esse sumiço, minha mãe não tem reserva, não tem dinheiro mensal, não tem aposentadoria, não tem nada.”

Tenso e sem esperanças, Wesley tenta dimensionar o quão afetado está com a situação. “Estou me mantendo à base de medicamentos desde segunda-feira (4/5). Já chorei. Minha mulher não dorme. Estou quebrado, minha vida acabou.”

“Crise de confiança”

Outra empresa que atuava como distribuidora intermediária da Naskar é a Nexco. O grupo, inclusive, decidiu processar a fintech após o “sumiço” dos sócios e o atraso nos pagamentos aos clientes.

Para o Nexco, o fato de a Naskar nunca ter atrasado pagamentos somado à falta de transparência dos três sócios sobre o problema levaram a distribuidora a processar a fintech sediada em São Paulo. “O problema deixou de ser apenas um atraso e se transformou em uma crise de confiança e de informação”, afirma.

O objetivo da ação judicial é manter resguardados os recursos dos clientes do Nexco e forçar a Naskar a explicar o que vem acontecendo. A empresa estima que cerca de 1.250 pessoas, entre investidores e colaboradores, tenham sido afetados com a situação. Somado, o prejuízo estimado destes cidadãos é de aproximadamente R$ 288 milhões.


Entenda o caso

  • A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech (empresa de serviços financeiros que apresenta facilidades aos clientes frente a bancos tradicionais). Chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP);
  • A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
  • Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais da Naskar, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar investido pelo cidadão;
  • A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, no início desta semana, o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para segunda-feira (4/5), não foi realizado;
  • Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta concreta até o momento.

Os sócios

A Naskar Gestão de Ativos tem três sócios: Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu.

José Maurício Volpato, mais conhecido como Maurício Jahu, é um ex-atleta de vôlei. Fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Foi treinador e modelo antes de decolar em uma segunda profissão, a de apresentador de TV. Trabalhou na ESPN Brasil durante cerca de 20 anos.

Já Marcelo Arantes é sócio-administrador de outras três empresas, e Rogério Vieira, de duas, todas do ramo financeiro.

Outro lado

Em nota atualizada na tarde de sexta-feira (8/5), a Naskar alega que identificou “inconsistências na base de dados” e prometeu normalização “o mais breve possível”.

“A Naskar informa que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. As equipes técnicas seguem atuando na revisão e validação das informações para garantir segurança e precisão no tratamento dos dados. Os clientes serão atualizados o mais breve possível”, afirma a fintech. Esse é o posicionamento atualizado da instituição.

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