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O jardim onde Jorge Amado permanece (por Mariana Caminha)

Acabo de voltar de uma viagem rápida à Bahia, lugar que gosto de revisitar pela energia, pelo ritmo e, sobretudo, pelas pessoas. Desta vez, a missão era apresentar a terra de Caetano, Gil, Caymmi e João Ubaldo à minha afilhada, Maria Ady. A Bahia também é terra de Jorge Amado, claro – e o deixei por último porque ele é, no fundo, o verdadeiro motivo desta crônica.

Jorge e Zélia moraram por muitos anos na Casa do Rio Vermelho, hoje transformada em museu. Fomos até lá acompanhadas pela filha do casal, a querida Paloma, que nos presenteou com histórias vividas e guardadas naquele espaço – histórias que parecem brotar das paredes, do chão e do jardim. Um verdadeiro privilégio.

E já que esta coluna se dedica à natureza, é nela que me detenho.

Vencidos os dois lances de escada logo na entrada, somos recebidas por uma jaqueira plantada há quase 60 anos por Jorge Amado. Em uma crônica recente, Paloma conta que foi a primeira árvore do jardim. Era, como ela diz, “indispensável garantir a presença da fruta preferida”. Até hoje, a jaqueira segue generosa. Estava carregada quando estivemos ali, firme, viva, produtiva.

À esquerda, alguns passos adiante, aparece uma pequena mangueira, plantada junto aos bancos de azulejos preferidos de Zélia e Jorge. Foi ali que, a pedido dele – que tinha horror à ideia de ser enterrado –, suas cinzas foram espalhadas. Um gesto final de pertencimento: voltar à terra como presença. Ficamos emocionadas.

O jardim da Casa do Rio Vermelho é uma das grandes estrelas do lugar. Árvores frutíferas, sombras, caminhos, espaços de descanso e interação com os visitantes. Um jardim que acolhe brasileiros e estrangeiros, fãs de dois grandes nomes da literatura mundial.

Vale lembrar: nos livros de Jorge Amado, a natureza nunca é cenário. Ela é personagem: as plantas, o mar, o cacau, o dendê, os orixás, as ervas, os chás. Tudo pulsa, tudo age, tudo participa da vida humana.

Para Jorge Amado, para Zélia e para Paloma, a natureza é cotidiano, é afeto, é ancestralidade – não algo a ser contemplado a distância, mas vivido, cuidado, compartilhado.

Talvez por isso, começar o ano relendo Jorge Amado faça ainda mais sentido. Seus livros nasceram em um tempo anterior à urgência climática, é verdade. Mas falam de uma relação com a terra que hoje nos falta: íntima, respeitosa, quase amorosa. Um tempo em que o mundo ainda parecia um jardim possível, e não um território em ruínas à espera de reparo.

Viva Jorge Amado! Viva Zélia Gattai! Viva Paloma Jorge Amado!

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