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Não tem muito para onde ir

O São Paulo começou o Paulistão de forma preocupante. A derrota por 3 x 0 para o Mirassol, fora de casa, na estreia da competição, escancarou uma crise que já vinha se desenhando dentro e fora de campo. O momento delicado ganha contornos ainda mais graves diante da instabilidade política vivida pelo presidente Julio Casares, que enfrenta risco de impeachment.

Após a partida, o atacante Luciano foi direto ao admitir que a temporada de 2026 tende a ser ainda mais difícil do que a anterior. As críticas, que inicialmente partiram das arquibancadas com protestos contra a diretoria, rapidamente chegaram ao vestiário e ao entorno do elenco.

Depois do apito final, Junior Pedroso, empresário de Lucas Moura, Pablo Maia e Ferreirinha, usou as redes sociais para disparar críticas duras ao São Paulo — os três jogadores começaram a partida contra o Mirassol no banco de reservas. Sem citar nomes, o agente publicou uma mensagem interpretada nos bastidores como um ataque à comissão técnica comandada por Hernán Crespo e à gestão de Julio Casares.

Veja:

“Líder limitado não é aquele que tecnicamente tem limitações, mas aquele que não consegue nem ter a confiança do seu grupo. Esse não tem muito para onde ir. Líder tem que ‘ser’, liderar sua equipe, assumindo seus erros sem expor seu time. Errou, apenas assume! E tenta aprender com seus erros”, escreveu Pedroso.

A publicação repercutiu negativamente no ambiente do clube e evidenciou um racha que vai além das quatro linhas, envolvendo diretoria, comissão técnica e pessoas ligadas ao elenco.

Impeachment resolve?

Julio Casares vive um dos períodos mais delicados de sua gestão à frente do São Paulo. O dirigente enfrenta forte desgaste político interno, alimentado por críticas à condução administrativa e, principalmente, aos resultados esportivos recentes, marcados pela ausência de títulos de grande expressão.

Além disso, a situação financeira agrava o cenário. O alto nível de endividamento e a dificuldade em equilibrar receitas e despesas aumentaram a pressão sobre a diretoria e ampliaram a insatisfação de conselheiros, que passaram a questionar com mais frequência os rumos do clube nos bastidores.

Dentro de campo, o desempenho irregular e a falta de respostas imediatas só aumentam a sensação de instabilidade no Morumbi, que inicia a temporada sob forte pressão. O São Paulo volta a entrar em campo nesta quinta-feira (15/1), às 21h45 para enfrentar o São Bernardo na segunda rodada do Campeonato Paulista. O tricolor encerra o final de semana na zona de rebaixamento do estadual.

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