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Motta demonstra impaciência e cansaço no comando da Câmara; vídeo

No auge da crise com a bancada bolsonarista do Congresso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobrou respeito ao seu cargo.

Não foi a primeira vez que Motta precisou lembrar aos deputados que é ele quem comanda a Casa, em discursos quase sempre com voz exaltada, sobrancelha arqueada, caneta BIC batendo na mesa e, frequentemente, ignorado por seus liderados.

A coluna analisou as sessões comandadas por Motta desde fevereiro, quando assumiu o comando da Casa. As imagens mostram o deputado aparentando cansaço e baixa energia — não é raro presidir os trabalhos reclinado sobre os próprios cotovelos.

As demonstrações de irritabilidade nem sempre são captadas pelas câmeras. Em março deste ano, Motta bateu na mesa durante uma reunião com líderes partidários e se exasperou. Tudo porque a bancada feminina insistia para que ele votasse com urgência um projeto no plenário.

Se vossas excelências estão confundindo esse presidente como uma pessoa paciente, como uma pessoa serena, como presidente frouxo, vocês ainda não me conhecem.

Eu não funciono sob ameaça. Não trabalho assim. Comigo não funciona. Quando parte para um degrau acima que agride a minha presidência aí eu não negocio com ninguém. A prerrogativa de presidir é nossa. Vossa excelência não coloque as coisas assim para essa presidência

Os rompantes de Motta demonstram sua falta de experiência de vida. No quarto mandato de deputado federal, Motta (35 anos) é o presidente mais novo da história da Casa pós-redemocratização. Antes disso, não ocupou cargos de liderança no Congresso.

“Experiência de vida você só adquire vivendo”, disse um colega de partido. “Ele saiu fragilizado desse episódio (da ocupação da mesa da Câmara), mas pode se recuperar”, emendou.

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É emblemática a cena em que parlamentares deixam o plenário para negociar a desocupação com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e não com Motta, que não gostou de parecer tutelado. Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, também foi chamado a interferir.

Em vários momentos da história, a relação presidente da Câmara–plenário foi conflituosa. Eduardo Cunha (RJ) já ouviu da cadeira de presidente o chamarem de “ladrão”, “golpista”, “canalha” e “tirano”, entre outros predicativos nada elogiosos.

Não mexeu nem um músculo do rosto, nem mesmo quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) apontou-lhe o dedo e, aos gritos, disparou: “Eduardo Cunha, o senhor é um gângster. O que dá sustentação à sua cadeira cheira a enxofre”, disse Rocha, em alusão ao demônio.

Arthur Lira também demonstrava sangue-frio diante dos deputados.

“Senhor Arthur Lira, eu quero saber se o senhor não tem vergonha, gostaria de saber se o senhor não tem vergonha”, atacou o mesmo Glauber.

Sem alterar o tom de voz, Lira respondeu: “Faça suas críticas, faça seus comentários, mas não venha com palavras de baixo calão. Porque só falta o senhor chamar qualquer deputado para briga nesse plenário.”

A paciência de Cunha e Lira não significa que, quando as luzes se apagam, eles esquecem o que se passou. Braga que o diga. Só não perdeu o mandato porque Hugo Motta deu um chute no processo de cassação e, há dois meses, ninguém foi buscar a bola. 

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