A major Adriana Leandro de Araújo, que teria fraudado o sistema das câmeras corporais da Polícia Militar para apagar vídeos de ocorrências, foi transferida para o Departamento de Tecnologia da corporação. A decisão foi pulicada no diário oficial de São Paulo no último dia 30. Não há informação sobre qual função ela vai exercer no setor, responsável por toda a segurança da informação e pelos maiores contratos da PM.
Em julho do ano passado, o Metrópoles revelou que, segundo registros da plataforma usada para processar as gravações das câmeras corporais da Axon, Adriana fez uma série de manipulações e deletou arquivos referentes a uma ocorrência em que um homem foi morto com três tiros de fuzil e nove de pistola durante a Operação Verão. Segundo a polícia, a vítima, Joselito dos Santos Vieira, teria atirado primeiro. A versão é questionada por testemunhas.

Joselito dos Santos Vieira, vítima da PM
Reprodução

Morro do José Menino, Santos
William Cardoso/Metrópoles

Morro do José Menino, Santos
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William Cardoso/Metrópoles

Morro do José Menino, Santos
William Cardoso/Metrópoles

Morro do José Menino, Santos
William Cardoso/Metrópoles
Na época, a major chefiava o Setor de Evidências da PM. No posto, ela respondia diretamente ao então número 3 na hierarquia da corporação, o coronel Gentil Epaminondas Carvalho, que participou da ocorrência em questão.
Mesmo com a abertura de uma sindicância pela corporação, a cúpula decidiu mantê-la no cargo. O procedimento segue em andamento e, mais de seis meses depois, não há informação de que tenha avançado. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Ministério Público de São Paulo também investiga o caso.
Questionada pela reportagem, a pasta disse que a mudança é “parte da gestão administrativa e operacional” e teve como base “critérios técnicos, com o objetivo de aprimorar constantemente a atuação policial”.
Morte de Joselito
- A morte de Joselito dos Santos Vieira ocorreu em 9 de março de 2024 no morro do José Menino, em Santos. A gravação deletada da ocorrência foi registrada pela câmera corporal do soldado Thiago da Costa Rodrigues.
- Nos inquéritos civil e militar, não há indícios de que o policial tenha feito disparos de arma de fogo. No entanto, ele estava na mesma viatura dos policiais que atiraram e são acusados pelo homicídio.
- Além de Tiago e quatro PMs que atiraram, o então coordenador operacional da PM, Gentil Epaminondas Carvalho, chefe da major Adriana, estava presente em uma viatura descaracterizada.
Vídeo apagado
A plataforma Evidence, utilizada pela Polícia Militar para processar os vídeos das câmeras corporais, mostra que a gravação da câmera do soldado Thiago foi introduzida no sistema às 5h17 de 10 de março de 2024, dia seguinte à ocorrência.


Histórico da gravação da bodycam do soldado Thiago mostra operações feitas por Major Adriana
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Major Adriana deleta vídeo da câmera corporal do soldado Thiago
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Print do sistema Evidence mostra vídeo apagado
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Perfil do usuário anônimo “Usuário de Operações”
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Operações realizadas com “Usuário de Operações” no sistema Evidence
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Oito dias depois, em 18 de março, a major Adriana Leandro de Araújo acessou o arquivo às 16h28 e mudou o nome do policial envolvido. A filmagem foi atribuída a um usuário anônimo, com nome “Usuário de Operações”, cadastrado na plataforma com um e-mail externo ao da corporação, com o domínio “gmail”.
Mais tarde, às 17h01 daquele dia, a major alterou a data da ocorrência para 5 de janeiro de 2024. Ela também mudou o nome da ocorrência no sistema para “tt” e depois para “Z-13”, sigla que costuma ser utilizada em ocorrências envolvendo pequenas brigas, por exemplo, e que não está associada a homicídio.
Mesmo assim, em 19 de março de 2024, dia seguinte às primeiras alterações, Adriana Leandro de Araújo acessou o arquivo mais uma vez. Às 12h43, ela apertou o botão “excluir”, para deletar o vídeo.
As operações no arquivo constam em uma auditoria de usuário feita pela Axon. O documento interno, ao qual o Metrópoles teve acesso, foi emitido em 26 de abril de 2024. A reportagem também teve acesso a uma série de questionamentos feitos à empresa pela própria Polícia Militar, sobre manipulações indevidas feitas em vídeos de ocorrências.