Um líquido que normalmente é descartado durante exames de endoscopia pode ajudar a detectar o câncer de estômago e até indicar o estágio da doença. Pesquisadores brasileiros observaram que a quantidade de DNA presente no suco gástrico pode servir como um sinal da presença de tumores.
O estudo analisou amostras de 941 pessoas atendidas no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. Entre os participantes, alguns não tinham problemas gástricos, outros apresentavam inflamações ou lesões pré-cancerosas, e uma parte já tinha câncer de estômago em diferentes estágios.
Os resultados mostraram que a concentração de DNA no suco gástrico era mais de duas vezes maior nos pacientes com câncer do que naqueles com lesões pré-tumorais ou inflamações no estômago.
Segundo os pesquisadores, esse material genético fica disperso no líquido digestivo porque células do tumor e outras células presentes no ambiente do câncer liberam fragmentos de DNA.
Como o líquido do estômago pode revelar a presença do tumor
Durante a endoscopia digestiva alta, os médicos utilizam um tubo com câmera para examinar o interior do estômago e coletar amostras de tecido para análise. Para facilitar a visualização, parte do líquido presente no órgão é aspirada e geralmente descartada.
Foi justamente esse material que os pesquisadores decidiram investigar. Ao medir a quantidade de DNA presente no suco gástrico, eles perceberam que níveis mais altos estavam associados à presença de tumores.
“Esse método tem a vantagem de ser simples e de baixo custo, já que o líquido é aspirado rotineiramente durante a endoscopia e normalmente descartado”, afirma o oncologista Felipe Coimbra, um dos autores do estudo, em comunicado.
A análise também indicou que a quantidade de DNA tende a aumentar conforme o câncer avança. Pacientes com tumores em estágios mais avançados apresentaram níveis mais elevados desse material genético no líquido digestivo.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação
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Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
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A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
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Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
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A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
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Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
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A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados
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Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
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Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
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O que o exame pode indicar sobre a evolução da doença
Os pesquisadores também observaram um resultado curioso ao analisar pacientes com tumores em estágio inicial. Entre essas pessoas, níveis mais altos de DNA no suco gástrico estavam associados a maiores chances de sobrevivência ao longo do acompanhamento.
Para o biólogo molecular Emmanuel Dias-Neto, coordenador do estudo, isso pode estar relacionado à atuação do sistema imunológico. “Esse DNA não vem apenas das células tumorais. Ele também pode refletir a atividade do sistema imunológico no ambiente do tumor”, explica.
Segundo o pesquisador, tumores que recebem maior ataque de células de defesa podem liberar mais material genético no estômago, o que pode indicar uma resposta mais forte do organismo contra a doença.
Apesar dos resultados, os cientistas destacam que a medição do DNA no suco gástrico ainda não substitui a biópsia realizada durante a endoscopia. Atualmente, a técnica consegue identificar corretamente a presença de câncer em cerca de dois terços dos casos.
Ainda assim, o método pode funcionar como uma ferramenta complementar. Como a endoscopia também pode apresentar resultados falso-negativos em alguns casos, a análise do suco gástrico pode ajudar a reduzir o risco de que tumores passem despercebidos nas primeiras avaliações.