As contas do governo central — Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social — registraram superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, com aumento em relação ao saldo positivo observado em janeiro de 2025 (de R$ 85,1 bilhões).
O resultado é o quarto melhor da história para um mês. Em termos nominais, o resultado de janeiro representa um superávit de 2,2%, mas se torna 2,2% menor quando é considerada a inflação do período. Os dados fazem parte do Relatório do Tesouro Nacional (RTN), divulgado nesta quarta-feira (25/2).
Entenda as contas do governo central
- Um superávit primário ocorre quando as receitas têm saldo maior do que as despesas, sem contar os juros. O déficit primário ocorre quando esse resultado é negativo. Juntos, eles formam o “resultado primário”.
- No acumulado de 2024, o governo central teve déficit primário de R$ 43 bilhões — equivalente a 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo com o resultado negativo, a meta fiscal de 2024 foi cumprida.
- Em dezembro de 2024, o governo central foi superavitário em R$ 24 bilhões.
- A meta do governo federal para 2025 é de déficit fiscal zero. Isso significa a busca da equipe econômica pelo equilíbrio das contas públicas, com receitas equiparadas às despesas.
No acumulado em 12 meses até janeiro, o rombo está em R$ 62,7 bilhões, segundo os dados do relatório, já aplicada a inflação. Esse resultado foi o 22º melhor para esse período (de fevereiro a janeiro) desde 2025, conforme cálculos feitos a partir dos valores corrigidos pela inflação.
O resultado do mês decorreu de um superávit de R$ 107,6 bilhões do Tesouro e déficits do Banco Central (R$ 66 milhões) e na Previdência Social (R$ 20,6 bilhões).
Déficit é quando um governo tem mais despesas do que receitas, superávit é quando acontece o contrário.
Resultado real é ajustado por um índice de inflação, resultado nominal é o valor bruto, sem ajustes inflacionários.
Conforme os números do Tesouro, em janeiro houve elevação de R$ 6,4 bilhões (2%) na receita total e enquanto a receita líquida apresentou elevação de R$ 3,3 bilhões (1,2%) em termos reais frente a janeiro de 2025.
O Tesouro atribuiu o resultado principalmente a:
- Aumento na arrecadação do Imposto sobre a renda (R$ 3,9 bilhões)
- Incremento arrecadatório de R$ 2,7 bilhões do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
- Aumento em outras Receitas Administradas pela Receita Federal (R$ 2,1 bilhões)
- Arrecadação Líquida para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), com aumento de
R$ 3,9 bilhões - Redução de R$ 5,1 bilhões na exploração de recursos naturais
Em 2025, as contas do governo central registraram déficit primário de R$ 61,6 bilhões.
Despesas crescem R$ 5,3 bilhões
Com relação às despesas, em janeiro, contra mesmo mês de 2025, houve um aumento de R$ 5,261 bilhões (2,9%) em termos reais:
- Abono e Seguro Desemprego – redução de R$ 1,478 bilhão
- Apoio financeiro a estados e municípios – redução de R$ 658 milhões
- Benefícios de Prestação Continuada – aumento de R$ 247 milhões
- Fundeb – Complementação da União – aumento de R$ 572,1 milhões
- Subsídios, Subvenções e Proagro – aumento de R$ 518 milhões
A meta fiscal para 2026
A meta fiscal do governo federal para 2026 é um superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões). Ou seja, a sobra de R$ 34 bilhões na diferença entre receitas e despesas. No entanto, há uma tolerância de 0,25 ponto percentual. Com isto, o resultado é considerado cumprido se for zero ou um superávit de R$ 68 bilhões.
A ideia é que haja aumento gradual até 2028, quando se prevê chegar ao superávit primário de 1% do PIB.
Confira as demais projeções:
2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões)
2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões)