Conhecida como “depósito”, existe uma prática sexual que consiste em deixar que mais de um parceiro ejacule no ânus na mesma relação. Ao Metrópoles, a sexóloga Camila Voluptas explica que, para ser considerado um fetiche, o ato não pode ser apenas uma consequência natural de um sexo grupal.
Nesse caso, o gatilho indispensável para que a excitação alcance o ápice deve ser, especificamente, o acúmulo de sêmen.
“Temos uma mistura de dinâmicas de poder e entrega. Existe um componente de submissão consensual e de uma ‘degradação’ erótica que funciona como um alívio das amarras e dos controles sociais. Além disso, o exibicionismo e o voyeurismo, em que todos assistem e participam, somado à sobrecarga sensorial, valida o poder de sedução de quem está no centro da prática“, comenta sobre a psicologia por trás da dinâmica.

O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
PeopleImages/Getty Images

Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
Yana Iskayeva/Getty Images

O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
Getty Images

É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
filadendron/Getty Images

No sexo, a liberdade permite testar novas posições e descobrir novas formas de prazer
South_agency/Getty Images
É necessário conhecimento, consenso e segurança
Segundo a sexóloga, em termos de prazer, é possível realizar o fetiche de forma consensual. “Mas exige maturidade e um planejamento impecável. O consentimento precisa ser explícito e contínuo, com limites e palavras de segurança (safewords) muito bem definidos antes de qualquer coisa”, destaca.
Em contrapartida, é importante olhar para o ponto de vista da saúde sexual. À coluna, a médica Marcelle Domingues ressalta que, apesar de não haver estudos que avaliem especificamente o acúmulo de ejaculação, os riscos conhecidos estão associados principalmente com ISTs e lesões por penetração intensa.
Entre no canal de WhatsApp
do Vida e Estilo

“A mucosa do reto é fina, muito vascularizada e sofre microlesões com facilidade causadas pelo atrito, especialmente quando falta lubrificação. Essas microfissuras funcionam para os agentes infecciosos como uma porta de entrada para a corrente sanguínea. Cada parceiro adicional é uma nova exposição. Também podem surgir irritação, fissuras, sangramento e inflamação do reto”, chama atenção.
Além disso, em relações que envolvem a penetração vaginal após a anal, sem a troca do preservativo ou a higienização adequada, há o risco de bactérias intestinais serem levadas à vagina e à uretra. De acordo com a especialista, essa migração de microrganismos favorece o surgimento de vaginose bacteriana e infecção urinária.
Outras orientações
A sexóloga Camila corrobora com as orientações acima e acrescenta que a troca de fluidos — especialmente em um fetiche que dispensa o uso de preservativo — exige testagem rigorosa e atualizada de ISTs entre todos os envolvidos. O uso de métodos como a PrEP também é inegociável.

“O aftercare (acolhimento físico e emocional pós-ato) é essencial para ancorar a adrenalina e garantir que a intensidade psicológica da cena seja processada de forma libertadora, evitando ressacas emocionais”, acrescenta Voluptas.
Por último, Marcelle reforça que dor anal forte e persistente, secreção, feridas ou sangramentos volumosos são sintomas que precisam de avaliação imediata.