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Festival de música negra sem negros recebeu R$ 700 mil de fomento

Marcado por críticas quanto a participação quase nula de artistas negros na grade de apresentação, o Festival Melodya fez parte da programação do Festival de Música Negra, funcionando como uma espécie de subevento. O Festival de Música Negra, por sua vez, foi contemplado com R$ 700 mil da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab). O recurso é destinado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF) após repasse do Ministério da Cultura.

O fomento foi pago em 2025 à Associação Brasiliense de Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF), produtora do Festival de Música Negra. Inicialmente, o projeto havia ficado como suplente, sendo aprovado na Pnab meses depois.

O Festival Melodya ocorreu na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF), entre os dias 24 e 26 de abril, dentro do Festival de Música Negra. A Associação Brasiliense de Promoção à Cultura, Diversidade e Formação (ABC-DF), produtora do evento, chegou a se queixar da escassez de recursos para a realização da festa.

A ABC-DF explicou que o Festival Melodya foi criado em parceria com a Media Hits, produtora de artistas como Melody e DJ Lucas Beat. Segundo a associação, o Festival de Música Negra possuía espaços vagos na grade de programação e não tinha condições de contratar mais artistas, o que teria levado a entidade a fechar o acordo com a Media Hits.

Ainda de acordo com a ABC-DF, os artistas da Media Hits não teriam recebido cachê para seus shows.

A produção executiva frisou ainda que, na grade do Festival de Música Negra, seis grupos de artistas negros se apresentaram. “Tivemos uma seleção de artistas negros e negras da cidade: DJ Chokolaty, Saphira (filha do DJ Jamaika), Makéna, Canto das Pretas, Samba da Guariba e Café com Samba”, ressaltou.

O Metrópoles acionou a Secec-DF, que, até a última atualização desta matéria, não havia se manifestado. O espaço segue aberto para manifestação.

Seleção de artistas

“Sem noção”, “piada de mau gosto” e “falta de respeito”. Foi assim que o público classificou a seleção de artistas do Festival Melodya. As imagens dos flyers geraram revolta em parte do público, que logo notou a ausência de artistas negros.

“Fiquei esperando anunciarem os negros da quebrada. Cadê?”, perguntou uma seguidora. “Não tem uma pessoa negra no line-up”, apontou outra jovem. “Sem noção demais”, classificou um rapaz.

“Festival de música negra sem artistas negros?!”; “Nenhum negro no Festival de Música Negra?”; “Piada de mau gosto e falta de respeito”, escreveram os seguidores em uma postagem de divulgação do Festival Melodya.

Confira as imagens de divulgação e os comentários do público:

Evento foi realizado entre 24 e 26 de maio, na Praça da Bíblia
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Evento foi realizado entre 24 e 26 de maio, na Praça da Bíblia

Divulgação/Festival Melodya

Festival Melodya foi realizado "dentro" do Festival de Música Negra
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Festival Melodya foi realizado “dentro” do Festival de Música Negra

Divulgação/Festival Melodya

Projeto recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc
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Projeto recebeu R$ 700 mil da Lei Aldir Blanc

Divulgação/Festival Melodya

Comentários em post sobre o Festival Melodya
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Comentários em post sobre o Festival Melodya

Divulgação/Festival Melodya

Comentários em post sobre o Festival Melodya
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Comentários em post sobre o Festival Melodya

Divulgação/Festival Melodya

 

“Muito contraditório”

A produtora cultural May, que encabeça projetos de música negra na capital, considera “muito contraditório”, o Festival Melodya não contar com artistas negros em sua maioria.

“É muito contraditório ver um festival que se propõe a celebrar a música negra e não ter artistas negros na line. Isso não é detalhe nem falha de curadoria, é um reflexo de algo que já é comum em Brasília”, opina.

“Enquanto alguns conseguem lucrar usando a cultura negra como tema, quem realmente constrói e sustenta essa cultura segue sem espaço, sem visibilidade e sem acesso aos mesmos recursos”, reflete a profissional. May é produtora de projetos como SintoSoul, AfroKinda e Black Beats DF.

“Cultura negra não é tendência. É vivência, história e resistência. E ignorar os próprios protagonistas não parece falta de opção, parece escolha”, acredita. “Se a proposta é falar de música negra, o mínimo é coerência. Representatividade não é favor, é responsabilidade.”

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