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Estudo relaciona anticoncepcional a sinais de compulsão alimentar

Que hormônios podem influenciar o humor muitas mulheres já sabem. Agora, um estudo publicado na última quarta-feira (17/6), na revista científica JAMA Network Open sugere que eles também podem interferir na relação com a comida.

Pesquisadores identificaram que mulheres que utilizavam anticoncepcionais orais apresentaram mais episódios de comer emocional nos dias em que tomavam as pílulas hormonais.

A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e acompanhou 422 mulheres de 15 a 30 anos durante 49 dias consecutivos. Todas utilizavam anticoncepcionais orais combinados monofásicos, tipo de pílula que mantém a mesma dose hormonal ao longo do ciclo.

Durante o acompanhamento, as participantes responderam questionários diários sobre comportamento alimentar, emoções e uso do anticoncepcional.

A análise mostrou que o comer emocional foi mais frequente nos dias em que as mulheres utilizavam os comprimidos hormonais do que nos períodos em que tomavam pílulas placebo. O padrão foi observado tanto no grupo geral quanto entre participantes com histórico atual ou anterior de níveis clínicos de compulsão alimentar.

Os autores também avaliaram fatores como humor negativo e preocupação com peso e aparência corporal. Mesmo após considerar essas variáveis, a associação entre as pílulas ativas e o comer emocional permaneceu.

Os pesquisadores destacam que o estudo não prova que o anticoncepcional provoque compulsão alimentar. Os resultados apontam apenas uma associação entre o uso das pílulas hormonais e maior frequência de comer emocional.

Segundo os autores, uma possível explicação está na ação conjunta dos hormônios sintéticos presentes nos anticoncepcionais combinados, que poderiam influenciar mecanismos cerebrais relacionados ao apetite e à saciedade.

Outro achado chamou a atenção dos cientistas: ao longo do estudo, os episódios de comer emocional diminuíram gradualmente. A hipótese é que o próprio hábito de registrar diariamente a alimentação e os comportamentos tenha ajudado as participantes a monitorar melhor os impulsos alimentares.

Os pesquisadores afirmam que novas investigações serão necessárias para entender quais mulheres podem ser mais suscetíveis ao efeito e se o mesmo fenômeno ocorre com outros métodos contraceptivos hormonais.

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