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Estudo investiga possível relação entre o uso de Wegovy e AVC ocular

Um estudo recente levantou a possibilidade de uma ligação entre o uso do medicamento Wegovy e um problema ocular raro que pode causar perda súbita da visão. A análise, baseada em relatos de efeitos colaterais, sugere uma associação com a neuropatia óptica isquêmica (NOI), condição causada pela redução do fluxo de sangue no nervo óptico conhecida popularmente como AVC ocular.

A pesquisa, publicada no British Journal of Ophthalmology em março, analisou dados registrados em um sistema de monitoramento de segurança de medicamentos nos Estados Unidos.

O que o estudo encontrou?

Os pesquisadores analisaram 31.774 relatos de efeitos colaterais associados a medicamentos que contêm semaglutida, substância presente em tratamentos como Wegovy e Ozempic. Desse total, 3.070 estavam relacionados ao Wegovy e 20.608 ao Ozempic. Entre os casos ligados ao Wegovy, 28 mencionaram neuropatia óptica isquêmica.

A condição ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, o que pode causar perda de visão de forma repentina e sem dor.

Ao comparar os dados, os autores observaram que, proporcionalmente, o número de relatos foi maior entre usuários de Wegovy do que entre os de Ozempic.

Ainda assim, o total de casos é considerado pequeno em relação ao número de pessoas que utilizam esses medicamentos. A NOI é rara e apareceu em menos de 1% dos pacientes que relataram efeitos colaterais associados ao uso do medicamento.

Mais pesquisas são necessárias

Os próprios autores destacam que o estudo não permite afirmar que o Wegovy causa o problema ocular. Isso porque a análise se baseia em relatos espontâneos, que não passam por verificação detalhada e podem não conter todas as informações clínicas necessárias.

Outro ponto levantado por especialistas é que as pessoas que usam esse tipo de medicamento podem já apresentar fatores de risco para problemas vasculares, como hipertensão e doenças cardiovasculares, que também estão associados à neuropatia óptica isquêmica.

Os autores defendem que novos estudos, com acompanhamento direto de pacientes, são necessários para esclarecer a relação entre o medicamento e o problema ocular.

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