Durante uma pós-graduação, os desafios são variados. Entre prazos a cumprir e preocupações em relação ao futuro profissional, os estudantes enfrentam impactos diários na saúde mental.
Foi a partir desse cenário que a pesquisadora Maria Eduarda Sacre, de 24 anos, se inspirou para o tema da própria dissertação no Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP).
Em meio a experiências pessoais e acadêmicas, a cientista teve a ideia de medir o cortisol — conhecido como “hormônio do estresse”—, por meio da análise de fios de cabelos.
“Ao ouvir e compartilhar as dificuldades, pressões e expectativas do dia a dia acadêmico, percebi que essa era uma realidade comum e merecia ser investigada com mais cuidado”, conta a idealizadora do estudo.
Maria Eduarda explica que o cabelo funciona como um registro biológico. “À medida que cresce, o cortisol é incorporado ao fio, permitindo observar retrospectivamente como os níveis de estresse se comportaram ao longo de meses. Isso torna a análise capilar uma forma mais completa de compreender o estresse crônico”, detalha.

A análise do cortisol foi feita por meio de fios de cabelo
Material cedido ao Metrópoles

Pesquisadora Maria Eduarda de Souza Sacre
Material cedido ao Metrópoles

Banca de defesa da dissertação de Maria Eduarda. Na imagem, Ana Valéria Colnaghi Simionato, da Unicamp; técnico de laboratório da Unesp, Eduardo Rossini; e o orientador, professor Emanuel Carrilho
Material cedido ao Metrópoles
Estresse a longo prazo na pós-graduação
No processo, Maria Eduarda começou com testes de cabelos doados pela empresa de cosméticos Katléia Lab. Em seguida, a metodologia foi validada conforme parâmetros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A avaliação das amostras foi realizada no Laboratório de Bioanalítica, Microfabricação e Separações (BioMicS), coordenado pelos professores Emanuel Carrilho e Laís Brazaca. Os fios foram lavados, moídos e embebidos em solvente para extração do cortisol.
O resultado da pesquisa mostrou que, ao longo do tempo, os pós-graduandos apresentam níveis de estresse mais elevados do que pessoas que não estão no ambiente acadêmico.
“Mais do que apontar esse resultado, o objetivo do trabalho é chamar a atenção para o tema e ampliar o debate sobre saúde mental no ambiente acadêmico”, diz a autora do estudo.
“Espero contribuir para ampliar o diálogo sobre saúde mental na pós-graduação e incentivar a construção de ambientes de pesquisa mais saudáveis”, completa.