“Agora que sei que é petista, não passo nem na frente”. Essa foi uma das diversas mensagens recebidas pela dona de um restaurante próximo ao Paranoá (DF), após defender seu posicionamento político em meio às Eleições 2026. Na ocasião, a empresária relatou ter sido alvo de boicote e ameaças após usar seu perfil pessoal para falar de suas preferências.
Veja a retaliação feita contra a empresária:




Apesar das mensagens recebidas, a empresária, que preferiu não se identificar por meio de novas retaliações, comentou o episódio com esperança de continuidade do comércio: “É um sentimento de raiva momentâneo”, comentou, com a crença de que os clientes que acreditam na qualidade dos produtos continuarão consumindo.
Perseguição antiga
A situação, segundo a empresária que mantém o negócio desde 2017, não é inédita: nas eleições de 2022, uma foto publicada em perfil pessoal também foi compartilhada em grupos do Paranoá.
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do Metrópoles DF
No sábado (24/10), véspera do segundo turno do pleito eleitoral, ela percebeu que o movimento no restaurante estava abaixo do habitual, mas ainda não tinha conhecimento do motivo. No mesmo dia, recebeu o alerta de um cliente, que a aconselhou a ter cuidado com possíveis boicotes.


“Eu quero te dar só um alerta: cuidado com os comerciantes do Paranoá. Tem uns que são da direita bolsonarista queimando o seu estabelecimento por você ser do Lula”, dizia a mensagem.
No domingo (25/10), o movimento aumentou próximo ao normal, mas as mensagens com tom boicotador continuaram. Em uma delas, a comerciante foi alvo de ofensas direcionadas a pessoas de esquerda: “Pessoal da esquerda não gosta de trabalhar, você sabe muito bem. Petista não quer trabalhar, só rouba”.
Com a projeção da postagem, porém, também surgiram comentários que buscaram apoiar o estabelecimento, dando contraponto à perseguição: “Parabéns! Amo seu restaurante! Comida deliciosa e preço muito justo. Ambiente super agradável e familiar!”, comentou um seguidor.
Denúncias de assédio eleitoral
O episódio ocorre em meio ao aumento de denúncias de assédio eleitoral recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que registrou 115 denúncias apenas em 2026.
O órgão investiga situações que envolvem discriminação e retaliação motivadas por escolhas políticas, inclusive quando há incentivo para que empregadores demitam trabalhadores por causa do voto.