O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou, na última segunda-feira (16/2), dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que participaram de um plano da facção para matar o promotor do Ministério Público paulista (MPSP) Lincoln Gakiya. A intenção era executar também o diretor de presídios Roberto Medina.
O plano foi descoberto pelas autoridades no ano passado. Em 24 de outubro, uma operação conjunta do MPSP e da Polícia Civil cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades do interior do estado.
Os dois condenados nessa segunda são: Victor Hugo da Silva, de 20 anos, e Gabriel Custódio dos Santos, 25.
Victor foi sentenciado a cinco anos de prisão em regime inicial fechado, além do pagamento de 500 dias-multa. Gabriel foi condenado a sete anos, também em regime inicial fechado, e ao pagamento de 699 dias-multa.
Os dois estão presos preventivamente e não ganharam na Justiça o direito de recorrer da condenação em liberdade, permanecendo no sistema prisional.
No caso de Victor Hugo, a juíza Sizara Corral de Arêa Leão Muniz Andrade destacou que o fato dele integrar o PCC o faria retomar o tráfico de drogas imediatamente caso seja solto.
Sobre Gabriel, a magistrada considerou que ele é reincidente, tem histórico de tentativa de fuga e cometeu o crime durante cumprimento de pena em regime aberto, o que “demonstra a insuficiência de medidas menos severas”.
PCC planejou matar promotor e diretor de presídios
A investigação que frustrou o plano do PCC de matar Gakiya e Medina foi iniciada a partir da análise dos celulares de presos por tráfico de drogas. Victor Hugo, conhecido como VH, foi um dos criminosos alvos da perícia.
Ele produzia o conteúdo por meio de aplicativo de localização e georreferenciamento, no qual retratava em detalhes o percurso entre a Penitenciária II de Presidente Venceslau e a casa de Medina. Os suspeitos também estavam monitorando a rotina da esposa do diretor.
Em um vídeo, o investigado narra o trajeto com referências visuais e nomes das ruas, “demonstrando conhecimento prévio da região e preocupação em instruir o interlocutor sobre o deslocamento”, segundo o MPSP.
Para a promotoria, “a descrição detalhada do trajeto, aliada ao uso de recursos visuais e geográficos, reforça o planejamento e a intenção de fornecer instruções precisas para o deslocamento até o imóvel monitorado, evidenciando o caráter estratégico da ação”.
As investigações apontaram ainda a existência de uma célula do crime organizado estruturada de forma compartimentada e “altamente disciplinada”, encarregada de realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de seus familiares, “com a clara finalidade de preparar atentados contra esses alvos previamente selecionados”, segundo o MPSP.
Os suspeitos haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades. “A célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama”, afirma a promotoria.
Segundo Gakiya, o plano da facção para matá-lo é o mesmo que mirou o ex-delegado-geral Ruy Ferraz, morto em 15 de setembro em um atentado em Praia Grande, no litoral paulista.
Há ao menos 20 anos, desde que passou a investigar a facção, ele recebe ameaças de morte. “[Esse] problema vai me acompanhar para onde eu for”, disse Gakiya em entrevista exclusiva ao Metrópoles, se referindo às ameaças e ao monitoramento da rotina dele realizados pela facção.