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Dólar fica estável e Bolsa cai apesar de alívio com acordo EUA-Irã

O dólar registrou pequena alta de 0,09% frente ao real, cotado a R$ 5,06, nesta segunda-feira (15/6). Como a variação foi pequena, na prática, a moeda americana manteve-se estável em relação à divisa brasileira. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa nacional (B3), fechou em queda de 0,42%, aos 170,4 mil pontos.

Os dois resultados, tanto a leve alta do dólar como o recuo do Ibovespa, representaram mudanças em relação ao desempenho dos indicadores no início da sessão. Por volta das 10h30, a moeda americana caía 0,65% frente ao real (a R$ 5,02) e o Ibovespa anotava forte alta de 2% aos 174,1 mil pontos.

Ocorre que, pela manhã, os mercados de câmbio e ações no Brasil ainda viviam de otimismo com a possível conclusão de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Durante o fim de semana, as negociações entre os dois países abriram o caminho para o maior avanço diplomático registrado desde o início do confronto no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.

Por isso, no domingo, as notícias sobre o acordo animaram os investidores, notadamente diante da possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.

Queda do petróleo

Com isso, os preços do petróleo baixaram, atenuando, ainda que parcialmente, o temor das crescentes pressões inflacionárias globais. Para os contratos com vencimentos mais próximos, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 4,76%, a US$ 83,17. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 4,61%, a US$ 80,97 por barril.

Bolsas globais

As notícias do acordo EUA-Irã, reforçadas pela baixa do petróleo, levaram alguns índices a novos recordes. O europeu Stoxx 600, por exemplo, subiu 0,25%, aos 634,81 pontos, atingindo nova máxima histórica. O DAX, de Frankfurt, e o CAC 40, de Paris, ganharam, respectivamente, 1,05% e 0,40%. A exceção ficou com o FTSE 100, de Londres, que recuou 0,39%.

Em Wall Street, também houve fortes altas. Às 16h30, a elevação era de 1,69%, no S&P 500; 1,12%, no Dow Jones; e 2,84%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia.

Efeito SpaceX

O salto expressivo do Nasdaq foi associado por analistas ao avanço das ações de tecnologia, em geral, e, em particular, da SpaceX, a fabricante de foguetes e satélites de Elon Musk, o primeiro trilionário da história. Às 16h30, os papéis da companhia subiam mais de 14%, a US$ 183,50 (eles foram lançados na quinta-feira, 11/6, por US$ 135).

Dólar no mundo

O movimento de alta do dólar no Brasil ocorreu na contramão (embora a diferença não tenha sido muito grande) dos mercados desenvolvidos. Mesmo porque o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), recuou 0,12%, aos 99,63 pontos.

Análise

Na avaliação de Rebecca Nossig, analista de Investimentos da Nomad, a queda do Ibovespa foi puxada pela redução do preço do petróleo, apesar do otimismo que o mesmo fato despertou nos mercados globais. Isso porque, na Bolsa brasileira, a baixa do barril derrubou as ações das petrolíferas, em especial da Petrobras, cujos papéis caíram cerca de 5% no pregão.

“O dólar, por sua vez, operou praticamente estável, refletindo a cautela dos investidores antes das decisões de juros do Copom (o Comitê de Política Monetária, do Banco Central do Brasil) e do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), tomadas nesta quarta-feira (17/6)”, diz a analista.

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