A menstruação costuma apresentar algumas variações ao longo da vida. O volume do fluxo, a duração do ciclo e até o nível de desconforto podem mudar de um mês para outro. Mas você já parou para observar que a cor do sangue menstrual também pode variar?
Do vermelho vivo ao marrom mais escuro, essas mudanças costumam gerar dúvidas e até preocupação. Mas afinal, diferenças na coloração indicam algum problema de saúde?
Segundo especialistas ouvidas pelo Metrópoles, na maioria das vezes essas variações são normais e estão relacionadas a processos naturais do próprio organismo.
Por que a cor pode mudar
A ginecologista Helga Marquesini, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que a cor do sangue menstrual pode variar ao longo do ciclo ou entre diferentes meses.
Isso acontece principalmente por causa do tempo que o sangue permanece no útero antes de ser eliminado.
“O sangue mais escurecido sofreu mais oxidação, enquanto o mais avermelhado foi expelido mais recentemente, com menor exposição ao oxigênio”, afirma.
Segundo a médica, fatores como o volume do fluxo e a velocidade com que o sangue é eliminado também influenciam essas mudanças de coloração.
A ginecologista Jéssica Wolff, da Maternidade Brasília, acrescenta que essas variações costumam aparecer em diferentes momentos do ciclo e geralmente não indicam problema de saúde.
De forma geral, o vermelho vivo costuma indicar sangue recém-eliminado. O vermelho mais escuro aparece quando o sangue permanece um pouco mais tempo no útero antes de sair. Já a coloração marrom costuma ser observada no início ou no final da menstruação, quando o fluxo é menor.
Segundo a médica, a cor isoladamente não costuma ser motivo de preocupação. “A cor do sangue menstrual, por si só, não é um bom marcador de doença”, pontua.
Quando é normal e quando merece atenção
Apesar de as mudanças de cor serem comuns, as ginecologistas ressaltam que outros aspectos do ciclo menstrual podem indicar a necessidade de investigação. Alterações importantes no padrão do fluxo são um dos principais sinais de alerta.
“Características que merecem investigação são mudanças na regularidade do ciclo, aumento do volume do fluxo, presença frequente de coágulos ou cólicas intensas”, afirma Helga.
Sangramentos muito volumosos podem levar à queda dos níveis de ferro no organismo e causar anemia. Já sangramentos após a menopausa sempre devem ser avaliados.
Jéssica acrescenta que o contexto em que a alteração ocorre também faz diferença. A mudança costuma ser considerada normal quando aparece apenas no início ou no final da menstruação ou quando ocorre ocasionalmente entre ciclos, sem outros sintomas associados.
Por outro lado, a avaliação médica é recomendada quando surgem sinais como sangramento intenso ou prolongado, dor pélvica importante, sangramento fora do período menstrual ou odor desagradável.
“O que chama atenção não é a cor isolada, mas a mudança do padrão menstrual associada a outros sintomas”, destaca Jéssica.
Hormônios e idade também influenciam
Alterações hormonais ao longo da vida também podem influenciar o aspecto do fluxo menstrual. Helga destaca que as primeiras mudanças podem aparecer ainda antes da menopausa.
“O climatério pode começar cerca de oito a dez anos antes da menopausa, e as alterações hormonais desse período podem modificar o fluxo e a coloração do sangue menstrual”, diz.
O uso de anticoncepcionais também pode interferir nesse processo. Como esses métodos costumam reduzir o volume do fluxo, o sangue pode se apresentar mais escurecido.
Além disso, pequenos sangramentos rosados ou avermelhados podem surgir em algumas fases do ciclo, especialmente próximos à ovulação.
Esses episódios ocorrem quando pequenas quantidades de sangue se misturam às secreções vaginais naturais.
Quando procurar um médico?
Para as especialistas, observar o próprio padrão menstrual é a melhor forma de identificar possíveis alterações. Mais importante do que a cor do sangue é perceber mudanças persistentes no ciclo.
Entre os sinais que devem motivar avaliação médica estão aumento significativo do fluxo, presença frequente de coágulos, sangramento fora do período menstrual, ausência de menstruação ou dor persistente.
Se houver mudança contínua no padrão habitual da menstruação, a recomendação é procurar orientação ginecológica.