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Lula adota mudanças para o 2º turno na tentativa de reverter desvantagem

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apostam em uma virada de chave na comunicação do petista para tentar reverter o resultado negativo do primeiro turno das eleições presidenciais. O chefe do Planalto passou a semana em conversas com lideranças partidárias e candidatos eleitos para colher sugestões de mudanças para a reta final da campanha.

Um dos principais problemas apontados pelo entorno do petista foi a necessidade de uma presença maior nas redes sociais. No segundo turno, a campanha quer intensificar a mobilização nas ruas e no campo digital em busca de uma virada contra o adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em reunião com parlamentares nessa quarta-feira (7/10), Lula cedeu aos apelos de aliados, sobretudo da ala jovem, sobre adotar novos formatos de conteúdo para as redes. Ao longo de toda campanha, auxiliares defendiam que o petista gravasse mais vídeos em formato de “selfie”, mas ele sempre demonstrou resistência.

A ideia por trás do formato é promover uma comunicação mais “olho no olho”com a população.

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do Metrópoles

Na reunião, Lula ouviu conselhos dos deputados federais eleitos, Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSol-SP) e André Janones (Rede-MG) sobre a atuação nas redes. Segundo fontes que participaram do encontro, o presidente chegou a dizer que não gosta de fazer esse tipo de conteúdo, mas reconheceu a importância de falar de forma mais direta para as redes sociais.

Ainda de acordo com parlamentares ouvidos pelo Metrópoles, o Lula brincou que acordaria cedo para “falar com celular” e prometeu fazer vídeos todos os dias. A declaração animou o entorno do petista, que prevê uma “guinada” na comunicação a partir de agora.

Presidente Lula
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Presidente Lula

Ricardo Stuckert

Ana Elisa e Lula
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Ana Elisa e Lula

Reprodução/Instagram

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília

Ricardo Stuckert

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília

Ricardo Stuckert

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília

Ricardo Stuckert

Lula e André Janones
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Lula e André Janones

Reprodução/Redes sociais

Só na quarta, foram publicados nove vídeos em formato “selfie” no perfil oficial do petista — em três deles, ele fala sozinho para a câmera e em outros seis, está acompanhado de deputados federais recém-eleitos. Em uma das filmagens, Lula convoca apoiadores a irem para as ruas buscar voto. Em outro, ele fala sobre números da abstenção no primeiro turno.

“É importante nesse segundo turno você comparecer para votar porque você tem família, porque você tem filho, porque você tem neto, porque você tem o Brasil para você tomar conta. É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país”, frisou o petista.


Busca pela virada

  • O primeiro turno das eleições presidenciais terminou com Flávio Bolsonaro à frente, com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula.
  • A diferença final foi de cerca de 2,2 milhões de votos.
  • O petista agora tem 18 dias para tentar reverter a vantagem do opositor. O segundo turno das eleições ocorre em 25 de outubro.
  • Nos últimos dias, a equipe na coordenação de campanha possou por mudanças em busca de realinhar a estratégia.
  • Em um trecho vazado da conversa com parlamentares, Lula foi gravado reclamando da organização, ao afirmar que a campanha deste ano foi a “menos organizada” que participou desde 1989, quando disputou pela primeira vez o cargo de presidente.
  • Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro amplia apoios à sua candidatura. Partidos como Republicanos, União e PP formalizaram apoio ao presidenciável no segundo turno.

“Tropa”

Para reforçar a presença nas redes, Lula conta com uma “tropa” de parlamentares jovens que dominam a linguagem das plataformas. Após o resultado do primeiro turno, o deputado federal André Janones, conhecido pelo estilo beligerante nas redes, criou um canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores em torno da campanha. Em três dias, o grupo acumulou 2,1 milhões de seguidores.

Outro nome incorporado à campanha lulista foi o da deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa. Aos 21 anos, ela recebeu 524.219 votos e ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) na disputa pela Câmara no estado. Com pouco recurso, a campanha da jovem foi concentrada nas redes sociais, onde acumula 2,8 milhões de seguidores.

Ela é uma das principais apostas para melhorar a votação de Lula no estado, considerado estratégico para a reeleição. Em Minas, Flávio terminou o primeiro turno 588.612 votos à frente do atual presidente.

A “bancada jovem” discute estratégias para fortalecer a campanha do petista no segundo turno. De acordo com a deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE), entre as ações adotadas, está a mobilização junto às universidades e escolas, além de iniciativas nas redes sociais.

Militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Rosa foi a candidata do PT mais votada em Pernambuco, aos 29 anos.

“Estamos reunindo a bancada jovem para construir uma agenda de mobilização e nortear o levante da juventude no segundo turno. Um dos primeiros pontos é a mobilização nas universidades, que já estão se movimentando”, afirma a parlamentar eleita, ao Metrópoles.

“Estamos construindo a nossa agenda em torno desse giro nas universidades, esse diálogo com o primeiro voto nas escolas e também, pautando junto à campanha do presidente, a importância de cada vez mais apresentar nessa eleição um projeto de futuro para a juventude, que passa por muitos pontos. A educação é um desses pontos centrais, mas que passa também pelo emprego e renda, a segurança pública”, destaca.

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