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Comissários são os profissionais com mais cânceres ligados à radiação

Pesquisadores de Harvard descobriram que, ao contrário do que diz o senso comum, pessoas que trabalham em aviões são os profissionais que têm maior contato com radiação. Mais do que radiologistas, os comissários de bordo são suscetíveis a desenvolver cânceres ligados às ondas eletromagnéticas. Pilotos ficam em segundo lugar na lista, que conta com 500 ocupações.

A pesquisa foi publicada na revista JAMA Internal Medicine nessa segunda (17/8). Segundo os cientistas, a exposição à radiação é maior no céu do que na Terra, já que há menos camadas da atmosfera para absorver os raios a 10 mil pés de altura.

A exposição à radiação depende da altura e também da latitude – em rotas que passam mais perto dos polos Sul e Norte, a proteção é menor.

“Pilotos e comissários de bordo acumulam uma estimativa de 3 a 6 milisieverts de radiação cósmica por ano, excedendo em muito os 0,4 milisieverts recebidos por um passageiro aéreo que realiza 10 viagens de ida e volta cruzando os Estados Unidos anualmente”, explicam os autores no artigo.

Eles analisaram dados do US National Vital Statistics System, um banco de dados que inclui informações de 12,7 milhões de pessoas que morreram entre 2020 e 2024.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

Os comissários e pilotos foram os dois grupos principais em mortes decorrentes de cânceres relacionados à radiação, como de mama, tireoide, próstata, mieloma múltiplo, leucemia e melanoma.

Risco vai além da radiação

Os cientistas perceberam que comissários têm 50% mais chance de ter os cânceres do que outros grupos, enquanto pilotos são 36% mais suscetíveis a desenvolver a doença. Entre neoplasias não ligadas às ondas, as profissões ficam em um patamar mediano na comparação com outras ocupações.

Outros fatores que podem piorar o risco além da radiação é a invasão de raios ultravioleta pelas janelas dos aviões (especialmente nas cabines) e alterações no ciclo circadiano de pessoas que trabalham durante as madrugadas.

Os pesquisadores esperam alertar a comunidade sobre o risco que trabalhadores aéreos enfrentam e encontrar maneiras de protegê-los.

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