A família de Rafael Salgado, de 29 anos, reencontrou o jovem na noite desta segunda-feira (18/5), após 11 dias de buscas na cidade de São Paulo. Diagnosticado com esquizofrenia, ele estava desaparecido desde 7 de maio, quando foi visto deixando o apartamento onde morava, no bairro do Sumarezinho, zona oeste da capital paulista.
Ao Metrópoles, o pai do rapaz contou que Rafael foi localizado na Rua Clélia, região da Lapa, após uma força-tarefa que envolveu familiares, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e o sistema de monitoramento Smart Sampa.
“Em momento algum eu perdi a esperança. Tiveram muitos momentos angustiantes, muitos, muitos, muitos. Mas nunca perdi a esperança”, afirmou Paulo, pai de Rafael.
Segundo ele, a família havia registrado um boletim de ocorrência (B.O.) e procurado todas as autoridades competentes, tendo inclusive buscado informações no Instituto Médico Legal (IML).
Após alguns dias de buscas, agentes da GCM entraram em contato, depois de identificarem Rafael por imagens do sistema de câmeras da prefeitura.
“A GCM tirou uma foto dele e perguntou: ‘Esse é seu filho?’. Eu falei: ‘É ele, meu Deus’”, relembrou.
Rafael foi encaminhado inicialmente ao 91º Distrito Policial (Vila Leopoldina) — o mesmo onde a família registrou o boletim de ocorrência sobre o desaparecimento — e depois levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde passou por avaliação psiquiátrica.
De acordo com o pai, o jovem estava fisicamente debilitado após dias vivendo nas ruas.
“Você olha para ele e parece que está tudo bem. Mas ele estava há 11 dias sem tomar banho, provavelmente sem comer adequadamente, e com a mesma roupa que saiu de casa”, contou.
Imagens de uma câmera de segurança obtidas pelo Metrópoles haviam flagrado o momento em que Rafael saiu do condomínio usando calça jeans, jaqueta bege e mochila preta nas costas. Veja:
A família acredita que Rafael sofreu uma recaída ligada ao quadro de esquizofrenia e à interrupção do tratamento medicamentoso.
“Pacientes com esquizofrenia podem ter recaídas. E essa foi uma recaída. Agora vamos precisar começar o tratamento do zero”, disse o pai.
Durante os dias de busca, familiares percorreram hospitais, delegacias e serviços públicos atrás de pistas. Sem resultados, decidiram recorrer às redes sociais — ação que foi a “salvação” da família, segundo Paulo.
O desaparecimento ganhou grande repercussão após publicações serem compartilhadas milhares de vezes. Segundo o pai de Rafael, a mobilização ajudou a intensificar as buscas.
“Os amigos começaram a republicar. Deu mais de 100 mil visualizações”, relatou.
Ele também agradeceu o apoio recebido ao longo dos últimos dias, incluindo o trabalho de policiais, agentes da prefeitura e pessoas que compartilharam informações.
A família agora aguarda a definição médica sobre uma possível internação para que Rafael retome o tratamento psiquiátrico.