Um dos sons mais conhecidos da natureza é o relincho dos cavalos. Embora grande parte dos mamíferos produzam sons graves proporcionais ao seu tamanho, esses equinos contam com um mecanismo que contraria essa característica. Enquanto relincham, eles conseguem emitir notas agudas e graves ao mesmo tempo — um fenômeno que, até então, intrigava a ciência.
O que diz a pesquisa
Publicado em fevereiro deste ano na revista Current Biology, um estudo da Universidade de Copenhague (Dinamarca) revelou como os animais produzem esse som. A pesquisa mostrou ainda que o relincho é fruto de dois processos diferentes que ocorrem no sistema vocal do cavalo.
Em um processo semelhante ao da fala humana, o som grave é emitido quando o ar passa pela laringe e faz vibrar os tecidos da região. Por outro lado, o agudo ainda não conseguia ser explicado pelos cientistas. Para solucionar a dúvida, a pesquisa utilizou câmeras inseridas pelas narinas dos animais, além de exames e outros experimentos.
Ao final, revelou-se que as notas agudas são uma espécie de assobio interno — enquanto parte do ar vibra os tecidos da laringe, outra região se contrai, formando uma abertura responsável pelo som. No caso do assobio humano, o processo ocorre na boca, e não na laringe.

Detalhes da natureza
Além dos cavalos, pequenos roedores também utilizam um mecanismo parecido. Esses equinos, porém, ainda são conhecidos como os únicos grandes mamíferos capazes de emitir as duas notas ao mesmo tempo.
Para os pesquisadores, essa característica pode tornar a comunicação mais sofisticada, permitindo demonstrar emoções e sinais sociais de maneira mais precisa durante as interações. O relincho, por exemplo, serve para encontrar integrantes do grupo, atrair parceiros e responder a situações de excitação, como momentos de alimentação.

O estudo também abre espaço para discussões sobre a evolução dessas vocalizações. Cavalos selvagens da espécie Przewalski apresentam sons semelhantes, assim como os alces. Em contrapartida, animais próximos na escala evolutiva, como zebras e burros, não emitem o componente agudo típico observado nos cavalos.