A osteoartrite, doença marcada pelo desgaste progressivo da cartilagem das articulações, causa dor, rigidez e perda de mobilidade em milhões de pessoas. Hoje, não há cura para a condição: os tratamentos disponíveis se concentram no controle da dor ou, em casos graves, na substituição da articulação por próteses.
Mas uma terapia experimental em desenvolvimento nos Estados Unidos pode abrir caminho para uma nova abordagem, conforme publicado pelo ScienceAlert em abril.
Pesquisadores da Universidade do Colorado Boulder desenvolveram uma injeção regenerativa que, em estudos com animais, conseguiu estimular o reparo de articulações danificadas em poucas semanas.
O tratamento usa um sistema de liberação lenta para aplicar, diretamente na articulação, um medicamento já aprovado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, mas reaproveitado com outro objetivo.
A proposta é fazer com que as próprias células do corpo atuem na recuperação da cartilagem e do osso afetados pela doença. Segundo Stephanie Bryant, professora de engenharia química e biológica da Universidade do Colorado Boulder e líder do projeto, a equipe conseguiu passar, em dois anos, de uma ideia inicial ao desenvolvimento de terapias que demonstraram reverter a osteoartrite em animais.
Kit de reparo para a cartilagem
Além da injeção de dose única, os cientistas também trabalham em uma espécie de “kit de reparo” feito com biomateriais. A tecnologia seria aplicada em lesões mais importantes da cartilagem ou do osso e teria a função de recrutar células progenitoras do próprio organismo para preencher as áreas danificadas. A ideia é que, no futuro, diferentes estratégias possam ser usadas conforme o estágio da osteoartrite.
A doença costuma evoluir em graus. Nos estágios iniciais, há perda leve de cartilagem. Com o avanço do quadro, o tecido que protege as articulações pode desaparecer quase completamente, fazendo com que os ossos passem a se atritar. É nessa fase que sintomas como dor intensa, rigidez, inchaço e inflamação tendem a comprometer mais a rotina.
Apesar dos resultados promissores, o tratamento ainda está distante dos consultórios. A pesquisa está em fase animal e ainda não passou por revisão por pares. A próxima etapa deve reunir mais dados sobre segurança e toxicologia, etapa necessária antes de qualquer teste clínico em humanos.
A expectativa dos pesquisadores é iniciar os ensaios clínicos nos próximos 18 meses, caso os novos experimentos confirmem a segurança da abordagem.