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Ginecologista alerta para 5 sintomas da endometriose além da cólica

Apesar de comum, a endometriose ainda é cercada por um equívoco básico: muita gente associa a doença apenas à cólica menstrual intensa, e para por aí. É justamente este o erro que atrasa diagnósticos e prolonga o sofrimento de milhares de mulheres.

“A cólica é o sintoma mais comum, mas não é o único, e muitas vezes nem o mais incapacitante”, explica o ginecologista Claudio Severino Jr., do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo. Segundo ele, ignorar outros sinais pode fazer com que a doença avance sem tratamento adequado.

O ginecologista Maurício Kitamura, do Hospital Santa Paula, também em São Paulo, reforça: a endometriose pode se manifestar de diferentes formas, inclusive fora do período menstrual, o que confunde pacientes e até profissionais.

Cinco sinais comuns que vão muito além da cólica:

1. Dor durante a relação sexual

Se você ainda acha que dor no sexo é “normal”, repense. A chamada dispareunia, dor durante a relação, especialmente na penetração profunda, é um dos sinais mais sugestivos de endometriose.

O sintoma deve ser investigado independente da frequência. Kitamura alerta: o sinal fica mais preocupante quando é recorrente, aparece em determinadas posições ou vem acompanhado de outros sintomas, como cólica intensa.

2. Alterações intestinais no ciclo menstrual

Diarreia, prisão de ventre, dor para evacuar e sensação de “peso no reto” podem não ter nada a ver com alimentação, e sim com endometriose.

“A principal característica é o padrão cíclico. Fora do período menstrual, o intestino funciona normalmente”, explica Severino Jr. Quando há repetição mensal desses sintomas, especialmente com dor pélvica, o alerta deve ser ligado.

3. Sintomas urinários persistentes

Dor ao urinar, aumento da frequência urinária e até sangue na urina podem estar relacionados à endometriose, principalmente quando não há infecção comprovada.

Segundo Kitamura, o detalhe que muda tudo é o padrão: sintomas que surgem ou pioram durante o ciclo menstrual não devem ser tratados como simples infecção urinária de repetição.

4. Dor pélvica crônica e fora do ciclo

Outro erro comum é achar que a dor só importa durante a menstruação. A endometriose pode causar dor pélvica constante, dor lombar, sensação de peso na pelve e até fadiga mesmo fora do período menstrual.

5. Dificuldade para engravidar

Este é um ponto crítico: muitas mulheres só descobrem a endometriose quando tentam engravidar sem sucesso. Embora não seja o primeiro sintoma na maioria dos casos, a infertilidade pode ser a primeira manifestação perceptível da doença.

“A investigação deve começar após 12 meses de tentativa, ou seis meses em mulheres acima de 35 anos”, orienta Kitamura. A doença deve sempre ser considerada em casais com dificuldade para engravidar.

O erro que mais atrasa o diagnóstico

Os dois especialistas concordam em um ponto incômodo: a dor feminina ainda é subestimada, inclusive pelas próprias pacientes. “Muitas mulheres silenciam a dor por vergonha ou por medo de julgamento”, afirma Severino Jr.

A dor incapacitante não é normal. Dor na relação não é normal. Alterações cíclicas no corpo não são “frescura”. A endometriose exige investigação e, muitas vezes, tratamento multidisciplinar, com ginecologista, fisioterapia pélvica, nutrição e apoio psicológico. Ignorar os sinais não faz a doença desaparecer, só faz ela avançar.

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