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Chefe da Codevasf prestava contas à família Coelho via WhatsApp

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que a cúpula da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Pernambuco atuava sob influência direta da família Coelho, grupo político tradicional do estado.

Segundo documentos que embasaram a Operação Vassalos, deflagrada nesta quarta-feira (25/2), o então superintendente da 3ª Regional da estatal em Petrolina, Aurivalter Cordeiro Pereira da Silva, mantinha relação de subordinação informal com integrantes da família, a quem enviava mensagens periódicas de prestação de contas.

De acordo com a investigação, Aurivalter ocupava, antes da nomeação para a Codevasf, o cargo de assessor parlamentar do ex-senador Fernando Bezerra Coelho.

Mesmo após assumir a superintendência, em 2016, ele teria continuado a reportar suas ações e decisões a membros do grupo político.

Os investigadores apontam que a influência da família Coelho sobre a Codevasf foi essencial para o funcionamento de um suposto esquema que envolvia o direcionamento de verbas federais, especialmente emendas parlamentares e termos de execução descentralizada, para projetos previamente escolhidos.

Parte desses recursos, segundo a apuração, teria beneficiado empresas ligadas ao grupo, em especial a Liga Engenharia, que acumulou mais de R$ 100 milhões em contratos de pavimentação em Petrolina desde 2017.

Conversas analisadas pela Polícia Federal mostram que o então senador Fernando Bezerra Coelho chegou a demonstrar preocupação com a permanência de Aurivalter no comando da superintendência.

Em um diálogo com o general Luiz Eduardo Ramos, à época ministro-chefe da Secretaria de Governo, o senador reclamou da possibilidade de substituição do indicado.

A resposta atribuída ao ministro, “Pernambuco é do senhor, senador”, é citada pela investigação como um retrato do grau de influência política exercido sobre a estatal.

Para a PF, a atuação de Aurivalter como uma espécie de “longa manus” da família Coelho permitiu que decisões estratégicas da Codevasf fossem alinhadas a interesses políticos e privados, facilitando o direcionamento de contratos e a liberação de recursos.

A Operação Vassalos apura crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.

Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.

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