A mpox é uma doença viral da família da varíola, originalmente transmitida de animais para humanos, mas hoje propagada principalmente entre pessoas por contato direto. Segundo o infectologista Hareton Teixeira Vechi, do Instituto de Medicina Tropical da UFRN, a doença ainda preocupa porque há circulação do vírus, possibilidade de surtos localizados e risco de complicações em grupos vulneráveis.
“A transmissão interpessoal facilita a rápida propagação em redes de contato próximas”, explica o especialista.
Em 2026, o Brasil registrou pelo menos 62 casos confirmados, sendo 44 apenas em São Paulo, com outros registros isolados em estados como Rio de Janeiro, Rondônia, Bahia, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A maior parte dos casos evolui de forma leve ou moderada, sem óbitos até o momento.
Sintomas e diagnóstico
Os sinais iniciais incluem febre, dor de cabeça, cansaço, dores musculares e aumento dos gânglios linfáticos. Após alguns dias, surgem lesões na pele que evoluem de manchas para pápulas, vesículas, pústulas e crostas. “Um achado típico da mpox é o aumento dos linfonodos. As lesões são profundas, dolorosas e bem delimitadas”, destaca Vechi.
A doença pode ser confundida com alergias, catapora ou herpes, mas apresenta características específicas: as lesões estão geralmente no mesmo estágio, diferentemente da catapora, e o aumento dos linfonodos ajuda na diferenciação. O diagnóstico pode ser clínico e confirmado por exames laboratoriais quando necessário, e o tratamento é principalmente sintomático, com controle da febre, dor e cuidados com a pele. Casos graves podem exigir internação.

Transmissão e prevenção
A transmissão ocorre por contato direto com lesões ou secreções, objetos contaminados, contato íntimo e, em menor grau, por gotículas respiratórias em proximidade prolongada. Ambientes coletivos, como academias ou transporte público, apresentam risco menor, mas não inexistente.
As medidas preventivas básicas são eficazes: higienizar as mãos, evitar contato com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e manter isolamento em caso de sintomas. O uso de preservativos reduz parte do risco em contatos íntimos, embora não elimine totalmente a transmissão. Grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, devem redobrar os cuidados, e em situações específicas a vacinação pode ser indicada.

Novas variantes e vigilância internacional
A OMS identificou variantes recombinantes do vírus mpox no Reino Unido e na Índia, embora os casos tenham apresentado sintomas leves. No Brasil, a vigilância epidemiológica segue ativa, com rastreamento de contatos e investigação de suspeitos. Até o momento, não há evidências de maior transmissibilidade ou letalidade dessas variantes.
“Apesar do aumento de casos, o risco é de surtos localizados, não de uma emergência sanitária global. Diagnóstico precoce, isolamento e acompanhamento médico continuam fundamentais para reduzir riscos e interromper a cadeia de transmissão”, afirma Vechi.
A mpox permanece controlável, mas não deve ser subestimada. Vigilância ativa, prevenção individual e atenção especial a grupos vulneráveis são essenciais para evitar complicações, reduzir a transmissão e impedir novos surtos, garantindo que a doença continue contida no país.
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