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Gastroenterologista explica se glutamina pode ajudar no emagrecimento

A busca por suplementos para perder peso fez crescer o interesse na relação entre glutamina e emagrecimento. O aminoácido, produzido naturalmente pelo corpo, é conhecido pelo papel na imunidade, na saúde intestinal e na recuperação muscular. Mas será que ele realmente ajuda a emagrecer?

De forma direta, a resposta é: não muito. A ciência ainda não aponta a glutamina como responsável por perda de peso significativa quando usada isoladamente.

Segundo o nutricionista esportivo Isaac Nunes, de Brasília, a glutamina não é consenso entre profissionais. “Ela é considerada um acessório. Existem poucas pesquisas comprovando benefícios diretos da suplementação para emagrecimento”, afirma.

O nutricionista explica que a substância pode ajudar no equilíbrio da flora intestinal, na digestão e na redução de inflamações. Por outro lado, para que parte da glutamina seja utilizada pela musculatura, seriam necessárias doses altas, entre 20 e 30 gramas por dia, o que nem sempre é indicado.

Na prática clínica, a gastroentereologista e hepatologista Jennifer Emerick destaca que não há evidência robusta de emagrecimento causado pela glutamina sozinha. Alguns estudos sugerem apenas efeitos indiretos, como melhora da mucosa intestinal, modulação da inflamação e impacto discreto na sensibilidade à insulina em perfis específicos.

“O que vemos é melhora de composição corporal quando ela faz parte de um plano estruturado. Ela é coadjuvante, não protagonista”, resume.

Quando faz sentido usar a glutamina?

A suplementação pode ser considerada, com avaliação profissional, em casos como:

  • Disbiose ou alterações intestinais;
  • Inflamação crônica de baixo grau;
  • Estresse elevado e imunidade fragilizada;
  • Atletas ou pessoas em recomposição corporal.

A glutamina não é termogênica, não queima gordura e não compensa excesso calórico, sedentarismo ou noites mal dormidas. Usá-la esperando emagrecimento rápido costuma gerar frustração. Especialistas reforçam que os pilares da perda de peso continuam sendo alimentação organizada, treino de força, sono adequado e controle do estresse. Suplementos podem ajudar em contextos específicos, mas não substituem essas bases.

Como destaca Jennifer, estratégias isoladas raramente funcionam. “Emagrecimento sustentável é consequência de ajuste metabólico aliado à mudança consistente de hábitos”, conclui.

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