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Protetor solar não evita insolação. Dermato ensina como se proteger

O protetor solar é um aliado indispensável na prevenção de queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele. Ainda assim, muitos brasileiros acreditam que o produto também protege contra a insolação — o que não é verdade.

Dermatologistas explicam que, embora essencial, o filtro solar não impede que o corpo superaqueça em dias de calor intenso, principalmente durante exposições prolongadas ao sol.

Na prática, a dermatologista Samara Kouzak observa que o primeiro erro começa no uso inadequado do produto.

“O mais comum é aplicar quantidade insuficiente de protetor solar, especialmente os mais fluidos e em bastão. Também é frequente não reaplicar ao longo do dia, confiar demais em um FPS alto e esquecer áreas como orelhas, pescoço, couro cabeludo e dorso dos pés”, afirma.

Segundo ela, outro equívoco recorrente é negligenciar medidas físicas de proteção, como roupas adequadas, chapéus e a busca por sombra, que são fundamentais para reduzir o impacto do calor no organismo.

Insolação não é um problema da pele

Do ponto de vista médico, insolação e queimadura solar são condições diferentes. O dermatologista Flégon David, de Belo Horizonte, explica que o protetor solar atua principalmente contra a radiação ultravioleta (UVA e UVB) e, em alguns casos, contra a luz visível.

“A insolação não é um problema localizado ou restrito à pele. Ela acontece quando o corpo como um todo superaquece”, diz Flégon. O filtro solar não bloqueia a radiação infravermelha, responsável pela sensação de calor.

Assim, mesmo com a pele protegida, o organismo continua absorvendo calor quando a exposição é prolongada, especialmente em ambientes quentes, abafados e com pouca ventilação, como praias cheias, blocos de carnaval e eventos ao ar livre.

A queimadura solar é uma lesão da pele causada principalmente pela radiação ultravioleta, sobretudo a UVB. Já a insolação ocorre quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura após exposição excessiva ao calor e ao sol.

Segundo a entidade, o aumento da temperatura corporal pode provocar inflamação sistêmica e alterações neurológicas, configurando uma emergência médica.


Sintomas da insolação

  • Temperatura corporal elevada.
  • Dor de cabeça intensa.
  • Tontura.
  • Fraqueza.
  • Náuseas e vômitos.
  • Em quadros mais graves, podem ocorrer convulsões, coma e risco de morte, o que exige atendimento médico imediato.

Segundo dermatologistas o protetor solar é importante para a proteção mas não impede a insolação

Por isso, enquanto a queimadura solar está diretamente relacionada à pele, a insolação envolve todo o organismo e depende de fatores como calor ambiental, hidratação, tipo de roupa, atividade física e tempo de exposição.

Samara explica que a condição está associada à elevação da temperatura corporal central acima de 40 °C, acompanhada de alterações neurológicas.

“A insolação resulta da falha dos mecanismos fisiológicos de dissipação do calor. Isso depende muito mais de hidratação, vestimenta, exposição ao calor e esforço físico do que do uso do protetor”, afirma a especialista.

O dermatologista Flégon reforça que o FPS alto não muda esse cenário. “O fator de proteção solar bloqueia a radiação ultravioleta mas não impede a absorção do calor. Por isso, mesmo com FPS alto, o risco de insolação permanece”, diz.

Como prevenir a insolação

Para prevenir a insolação é necessário praticar as chamadas medidas de fotoproteção física, que são mais eficazes do que o uso isolado do protetor solar.

  • Usar roupas leves de cores claras e tecidos respiráveis.
  • Chapéus de aba larga.
  • Óculos escuros.
  • Optar sempre ficar à sombra.
  • Evitar lugares extremamente abafados.

“O ideal é não apostar em uma única forma de proteção, mas combinar todas”, orienta Samara. Ela também recomenda evitar a exposição solar entre 10h e 16h, período de maior índice de radiação ultravioleta e calor intenso.

Foto colorida de uma pessoa aplicando protetor solar na perna, sentada na areia da praia - Metrópoles.
A insolação é uma condição séria provocada pelo excesso de exposição ao sol e ao calor intenso

Não há um tempo específico considerado seguro para ficar ao sol em dias de calor extremo. O risco de insolação varia conforme fatores como temperatura ambiente, umidade do ar, intensidade da atividade física, idade, consumo de álcool e presença de doenças pré-existentes.

“Dependendo da combinação desses fatores, a insolação pode ocorrer em poucas horas ou até minutos, em condições extremas”, alerta a dermatologista.

Crianças pequenas, bebês, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas — como cardiovasculares, renais, pulmonares, diabetes, demência e obesidade — estão entre os grupos mais vulneráveis à insolação.

Segundo os especialistas, esses grupos têm mecanismos de regulação térmica menos eficientes ou comprometidos por condições clínicas e medicamentos.

O que fazer diante de sinais de insolação

A insolação é uma emergência médica. Diante de sintomas como confusão mental, alteração de comportamento, febre alta ou convulsões, a orientação é agir rapidamente.

A pessoa deve ser levada para um ambiente fresco, longe do sol, com remoção do excesso de roupas e início imediato do resfriamento corporal. “O método ideal é a imersão em água fria ou gelada, mas compressas de gelo também podem ser usadas enquanto se aguarda o atendimento médico de urgência”, orienta Samara.

Para os dermatologistas, o protetor solar continua sendo essencial, mas não resolve tudo. Evitar atividades físicas nos horários mais quentes, buscar sombra, usar roupas adequadas, beber água regularmente e refrescar o corpo são medidas simples mas decisivas para a saúde durante o verão.

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