O câncer de pulmão é o tumor maligno mais incidente no mundo, com mais de 2 milhões de novos casos por ano, além de liderar as estatísticas de mortalidade, segundo dados do Global Cancer Observatory. No Brasil, a doença ocupa a segunda posição entre os tipos de câncer mais comuns em homens e mulheres, quando se excluem os tumores de pele não melanoma.
Mesmo que seja mais associado a sintomas respiratórios, o câncer de pulmão pode evoluir de forma silenciosa no início. Por isso, o diagnóstico geralmente ocorre já em estágios mais avançados. Por outro lado, a identificação precoce do tumor amplia as chances de tratamento e melhora o prognóstico.
Principais sintomas do câncer de pulmão
Os sinais do câncer de pulmão variam conforme o estágio da doença e, em muitos casos, surgem de forma progressiva. Entre os sintomas mais frequentes, destacam-se:
- Tosse persistente, que não melhora com o tempo;
- Presença de sangue no escarro;
- Rouquidão sem causa aparente;
- Dor no peito, que pode piorar ao respirar fundo ou tossir;
- Falta de ar mesmo em atividades leves;
- Perda de apetite;
- Emagrecimento sem explicação clínica.
Além disso, ter infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias de repetição, também pode indicar comprometimento dos pulmões. Nos estágios mais avançados da doença, os sintomas tendem a se tornar mais intensos e contínuos, com destaque para:
- Dor torácica persistente;
- Piora progressiva da falta de ar;
- Cansaço excessivo e queda intensa do condicionamento físico.
Outros sintomas não respiratórios
Alguns pacientes podem apresentar dor óssea, principalmente nas costelas e coluna, dor de cabeça persistente, tontura, fraqueza em um dos lados do corpo e inchaço no rosto ou no pescoço.
“Embora seja uma doença pulmonar, os primeiros sinais nem sempre estão diretamente ligados à respiração. Além disso, existem as chamadas síndromes paraneoplásicas, que podem causar alterações hormonais, fraqueza muscular ou alterações laboratoriais antes mesmo de sintomas respiratórios importantes”, explica o oncologista Márcio Almeida, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc).
Fatores de risco para o câncer de pulmão
O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão é o tabagismo. Aproximadamente 85% dos casos estão relacionados ao consumo de derivados do tabaco. O risco não é só com o cigarro tradicional e também aumenta com o uso de charutos e cachimbos, consumo de cigarros eletrônicos e exposição passiva à fumaça do cigarro, mesmo em ambientes fechados ou no convívio familiar.
“Além do tabagismo, a exposição da fumaça oriunda do fogão a lenha também é um fator de risco. A fumaça tóxica liberada em grande quantidade gera inflamação nas vias respiratórias e com o tempo pode influenciar o desenvolvimento de doenças potencialmente fatais, como o próprio câncer de pulmão”, ensina a oncologista Tatiany Paula Araújo Vargas, do Hospital Sirio Libanês Brasília.
Além disso, alguns outros grupos também apresentam maior vulnerabilidade ao câncer de pulmão, como trabalhadores expostos a amianto, sílica e produtos químicos industriais; pessoas com histórico familiar da doença e pacientes com doenças pulmonares crônicas, como enfisema e bronquite crônica.