Responsável por ajudar a moldar o som do pagode que dominou rádios e rodas de samba nas últimas décadas, Ubirajara de Souza, o Bira Haway, morreu neste domingo (25/1), aos 74 anos, no Rio de Janeiro (RJ). O produtor estava internado no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na zona oeste da cidade.
Embora pouco conhecido do grande público, Bira foi um nome central nos bastidores da música popular brasileira, especialmente no samba e no pagode. Seu trabalho como produtor esteve por trás de discos, turnês e projetos que consolidaram grupos de enorme alcance nacional nos anos 1990 e 2000.
Antes de se firmar como produtor, Bira teve trajetória artística ligada diretamente aos palcos. Começou como percussionista, atuando na noite de São Paulo (SP). Nesse período, ganhou o apelido “Haway”, inspirado no estúdio onde costumava gravar, nome que acabaria se tornando definitivo na carreira.

Bira Haway
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Bira Haway morreu neste domingo (25/1)
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Bira Haway, pai de Anderson Molejo
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Bira também teve passagem pelo carnaval carioca. Atuou como intérprete de escolas de samba e foi a voz da Estácio de Sá no primeiro desfile com Ciça como mestre de bateria, em um momento de transição importante para a agremiação.
A partir dos anos 1980, sua atuação migrou para os bastidores. Como produtor, participou da formação e consolidação de grupos que se tornaram referências do gênero, como Molejo, Exaltasamba, Soweto, Samprazer e Grupo Revelação. Bira era reconhecido no meio por sua capacidade de identificar repertório, lapidar arranjos e conduzir artistas em fases decisivas da carreira.
Ele era pai de Anderson Leonardo, vocalista do Grupo Molejo, que morreu em 2024, vítima de um câncer raro.