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memórias que resistem à implosão do Torre Palace

A poucos dias da implosão do Torre Palace, marcada para este domingo (25/1), as lembranças seguem intactas para quem fez do prédio parte da própria vida. Para o analista de TI Daniel Pereira de Moraes, 46 anos, o hotel nunca foi apenas concreto e vidro. Foi cenário de afeto, trabalho e infância.

Daniel contou ao Metrópoles a história de sua família que se entrelaçou a um dos hotéis mais icônicos de Brasília.

Daniel passou a infância no Torre Palace

O avô, seu Natalício, chegou à capital quando Brasília ainda era promessa. “Pernambucano de fibra”, como descreve o neto, tentou a vida em outros estados até escolher o Distrito Federal para chamar de lar.

Foi um dos trabalhadores que ajudaram a erguer o Torre Palace, então batizado pela vizinhança em referência à Torre de TV.

“Seus braços ajudaram a erguer o Torre Palace Hotel. O Sr. Natal, como o chamávamos, mal sabia que aquele canteiro de obras se tornaria o coração da nossa família: ali trabalharam minha tia, meus irmãos, primos e amigos”.

Com o passar dos anos, o prédio se tornou extensão da rotina familiar. A mãe vendia cama, mesa e banho de forma ambulante, sempre em ambientes conhecidos e seguros, e o hotel era um deles. Tios, primos e irmãos também passaram por ali, fazendo do Torre um ponto de encontro cotidiano.

“Palco de vida”: memórias que resistem à implosão do Torre Palace - destaque galeria

Torre Palace foi inaugurado em 1973
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Torre Palace foi inaugurado em 1973

Reprodução/Arquivo Público do DF

O hotel será implodido em uma megaoperação neste domingo (25/1)
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O hotel será implodido em uma megaoperação neste domingo (25/1)

Reprodução/Arquivo Público do DF

Localizado no Setor Hoteleiro Norte, o hotel já hospedou figuras famosas
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Localizado no Setor Hoteleiro Norte, o hotel já hospedou figuras famosas

Reprodução/Arquivo Público do DF

Uma feira funcionava próxima ao Torre Palace
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Uma feira funcionava próxima ao Torre Palace

Reprodução/Arquivo Público do DF

O hotel foi um dos principais destinos de luxo de Brasília
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O hotel foi um dos principais destinos de luxo de Brasília

Reprodução/Arquivo Público do DF

Obras em frente ao Torre Palace na década de 70
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Obras em frente ao Torre Palace na década de 70

Reprodução/Arquivo Público do DF


Hotel icônico

  • Fechado desde 2013, o Torre Palace foi idealizado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj. Com 14 andares, 140 apartamentos e vista privilegiada para o Eixo Monumental, o hotel hospedou autoridades, diplomatas e empresários durante décadas;
  • Após a morte do fundador, o prédio entrou em decadência, encerrou as atividades e passou a sofrer invasões e depredações, tornando-se ponto de insegurança e deterioração urbana;
  • O Torre Palace Hotel, localizado no Setor Hoteleiro Norte, foi um dos principais destinos de luxo de Brasília e hospedou diversas figuras conhecidas do cenário nacional e internacional;
  • Pouco tempo após a inauguração, o hotel recebeu personalidades do esporte, da música e da televisão. Em outubro de 1973, hospedaram-se no local três jogadores do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira: Carlos Alberto Torres, capitão da equipe; Zé Maria; e Rivellino;
  • No mês seguinte, passaram pelo Torre Palace o grupo Os Diagonais e os cantores Jair Rodrigues e José Cipriano.

A infância ficou marcada pelos corredores amplos e pela escada panorâmica.

“Me perdia na imensidão da escada panorâmica. A tontura da altura se misturava ao deslumbramento com o horizonte de Brasília”, relembra.

Com nostalgia, Daniel conta que uma das brincadeiras era uma competição para ver quem conseguia subir ao 13º andar. O prêmio, segundo ele, era um lanche que a chefe da cozinha, sua tia, fazia: “uma esfiha inesquecível com suco de laranja”.

Inaugurado em 1973, o Torre Palace viveu anos de prestígio antes de entrar em decadência, marcada por disputas judiciais e abandono. Ainda assim, para Daniel, o prédio segue vivo na memória.

“O hotel foi palco de vida. Ali nasceram romances e casamentos que duram até hoje, nutridos pelos laços que o Torre ajudou a criar”, afirma.

Entre as lembranças guardadas, estão as festas de fim de ano e um momento especial da infância: “A alegria pura de ver meu irmão ganhar um par de joelheiras da seleção de vôlei que ali se hospedou”.

Hoje, ao passar pelo Setor Hoteleiro Norte, o sentimento é de contraste. “O olhar de adulto lamenta o estado do prédio, mas o coração do menino que fui faz um upload imediato de alegria”, diz.

Com a implosão marcada, Daniel se despede do prédio com a certeza de que a história permanece:

“O Torre Palace pode ter mudado, mas a história do Sr. Natalício e de nossa família permanece intacta, pronta para ser contada aos meus filhos”.

Megaoperação

A operação de implosão do Torre Palace terá início nas primeiras horas de domingo (25/1), com a chegada e o posicionamento das equipes às 6h e a instalação do Posto de Comando. A sequência operacional prevê acionamento de sirenes, avisos por megafone e sobrevoo de helicóptero e drones a partir das 9h.

Serão emitidos três alertas sonoros escalonados, por uma viatura do CBMDF, às 9h57, 9h58 e 10h, com início da detonação logo após o último alerta. A liberação gradual e controlada do perímetro, se forem confirmadas questões de segurança, terá início a partir das 10h30. O encerramento da operação está previsto para às 18h.

A operação poderá ser interrompida ou adiada apenas pelo blaster ou pelo subsecretário da Defesa Civil, com protocolo de rádio específico, a partir de critérios como condições meteorológicas adversas, falha de comunicação entre equipes, presença de pessoas nas proximidades, ou falha técnica.

Após a implosão, será realizada avaliação estrutural imediata do local e das edificações do entorno, controle de poeira, limpeza das vias e liberação gradual conforme parecer técnico.

A remoção de entulho seguirá planejamento da empresa responsável, sempre condicionada às condições de segurança e autorização formal.

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