O deputado estadual Altair Moraes (Republicanos-SP) encontrou uma forma peculiar de defender que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpra o restante de sua pena em prisão domiciliar. Em vídeo publicado no Instagram, ele comparou a situação do político à do médico Roger Abdelmassih, acusado de ter forjado um agravamento do seu quadro de saúde para deixar o presídio de Tremembé.
“O Roger Abdelmassih, lembra dele? Aquele médico que estuprou várias mulheres? Foi preso. Um senhor de idade, começou a passar mal, fez uma série de tratamentos, e mandaram para onde? Para casa, prisão domiciliar. Ele vai se tratar em casa porque não tem condições na cadeia. E o ex-presidente Bolsonaro? Você vê que loucura. Cadê os direitos humanos?”, questiona Moraes no vídeo.
Os episódios que levaram Abdelmassih à prisão domiciliar em 2017 foram relatados no livro ‘Diário de Tremembé, que deu origem à série “Tremembé”. Na obra de Acir Filó, o também médico Carlos Sussumu relata que sugeriu remédios que causaram complicações cardíacas em Roger a pedido dele. “A doença do Roger é uma fraude, foi fabricada, é artificial. Ele não tem nenhum problema de saúde que simples medicação não resolva”, diz trecho atribuído ao médico no livro escrito pelo ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos (SP), Acir.
O livro e a série também apontam que Abdelmassih deixava de tomar os medicamentos corretos ou ingeria de maneira e quantidade inadequada. Após a publicação, a Justiça solicitou uma perícia médica, que concluiu que o médico estava em condições de fazer seu tratamento de saúde na modalidade ambulatorial e, por isso, poderia cumprir a pena na prisão em regime fechado. Em 2019, ele voltou a Tremembé.
Roger Abdelmassih está preso em regime fechado desde então, exceto durante período na pandemia. Em julho de 2021, retornou ao presídio, após a Justiça atender pedido do Ministério Público (MP) apontando que a situação clínica de Abdelmassih não exigia tratamento de saúde em casa. Desde então, o cenário não mudou, apesar de diversos pedidos da defesa alegando que ele corre risco de morrer na cadeia.
Nesta quarta-feira (7/1), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a saída do ex-presidente Jair Bolsonaro a deixar a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para ir o Hospital DF Star, em Brasília (DF), para fazer exames. O político sofreu uma queda na terça e bateu a cabeça na cela em que cumpre a pena de 27 anos e 3 meses por liderar a trama golpista.